
Há cá coisas que me agitam e me mortificam ao mesmo tempo – porque, não sendo nada, são detentoras de mais existência do que aquelas outras coisas que apertamos entre os dedos e encostamos à cara – e, essas, sabemos porque não somos loucos (ou porque o somos, tanto faz para o caso), são reais – tão reais que perdem mistério e magia e deixam, se não de ser reais, pelo menos de ser interessantes.
Há cá coisas que não merecem atenção – têm-na sem pedir licença. E mesmo que eu lhes diga “saiam daqui, não gosto de vocês, não vos quero e tenho dito!” ou, em voz doce e cantarolada “vá lá, não me importunem mais, vamos ser felizes cada qual à sua maneira”, não saem, não se vão embora, não me dão espaço, não me dão paz. Continuam vivas e em actividade, mesmo que eu as ignore e lhes feche as janelas com cortinas opacas. São teimosas, são rebeldes, são insolentes até! E dão-me cabe do juízo – mas o dia delas há-de chegar, à se há-de!
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Há cá coisas. Há cá cada coisa.
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