Wednesday, October 03, 2007

Antes do fim

O mel pinga e empapa-lhes os cabelos. Olham para cima e riem gargalhadas francas e honestas. Entrelaçam os dedos, melosos, e brincam com as mãozitas: com os nós dos dedos, com as linhas da vida, com o encaixe do pulso. Percorrem o braço um do outro, com a palma aberta e reguila. Chegam por fim aos olhos, já com pele e roupa completamente untuosas.

“- Hum, é doce!” – diz a Maria, provando um pingo que lhe caiu nos lábios e arregalando a expressão de prazer.

“- Diz que gostas de mim” – pede-lhe.
“Ai sim? Tomaras tu!” – replica, enquanto lhe puxa a cabeça e a encosta junto ao peito, do lado esquerdo, sempre do lado esquerdo.

O mel cai, vai pingando. Há histórias em que chovem flores ou em que se ouvem sininhos. Nesta, há um mel estranho que cai de lado nenhum. Nesta história, meloso de mel, não de lamechas. Isso é que não: isso é que nunca!
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Nota da autora: Para que se perceba, recomendo a leitura deste.

Sunday, September 30, 2007

Jogo limpo

Deixei de jogar à defesa e aboli as linhas de limite de campo. Que se lixem as consequências! Se o Mundo acabar, hoje à tarde ou amanhã, tem muito tempo para se reconstruir.

Dito isto, liberto-me de mim. Dou-me tempo, respiro fundo, descalço-me e corro pela floresta dos sonhos, de braços abertos. É aqui que me sinto bem: quando for grande vou construir uma cabana e transformar, num toque de mágica, as bonecas numa família de verdade, com vida. É aqui que quero estar, amo esta floresta mais do que tudo. Graças a ela, perdi o medo de ter medo: encaremos o percurso com natural simplicidade.
Depois de um curto passeio com a minha decisão, percebo que alguém me calçou as pantufas: estou confortável. Tão confortável que faço uma almofada de caruma, cobro-a com folhas de eucalipto, deito-me e adormeço quase instantaneamente.

A partir de agora, tens tu o apito. Avisa-me quando o recreio acabar e joga limpo, por favor.

Wednesday, September 26, 2007

Construção do fim

A Maria riu, estridentemente, na cara dele.

“Ora toma!”

É mesmo bem feito, pensou a assistência. Um riso que corta, que goza, que lhe rasga o peito. Um riso que o humilha mais do que tudo, que o despedaça. O público gosta, pede mais. E ela volta a rir, mais alto, cada vez mais alto. Pára, subitamente. Roda em pontas e cai-lhe nos braços. Perplexo, ele procura no subconsciente uma maneira de lidar com aquilo, de lidar com ela. Cada movimento da Maria é pensado, premeditado. Têm muitas noites de reflexão, os gestos dela. São compostos de muitas insónias, que os tornam perigosos e independentes. E dão cabo dele, sempre e cada vez mais.

“Ai sim? Tomaras tu!”

Espertinha, hem? A usar as frases dele. As fraquezas dele. A usá-lo a ele mesmo, como se de uma marioneta de corda se tratasse. Pinta a cara de branco e assombra-o, desenha-lhe rugas na face e aponta-lhe para o “pneu” de gordura que subitamente lhe surgiu na barriga.

“És um velho. Ninguém te quer”.

Suores frios, muitos suores frios. Ela agarra num copo de cerveja, enche-o com fragmentos da vida de boémia dele e dá-lho a beber. Rejeita, num gesto nada firme. Bebe ela, de um trago. E cai morta no chão, de olhos abertos. Ele percebe muita coisa, neste momento. Percebe quase tudo. A Maria é parte de si: é a representação do seu próprio fim, fim esse que ele aprendeu a amar, pela convivência diária. Mas, ao tocar no corpo dela, sem vida, odeia-se mais do que tudo: odeia o desfecho eminente, construído com todo o seu empenho.

O pano cai. A assistência está apática. Ao fundo, lentamente, cresce a sombra do Medo.
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Tuesday, September 25, 2007

Pintores de pessoas

Nem toda a gente tem talento para pintar em pessoas. Os artistas de tela, toda a gente conhece e reconhece. Mas, digo-o eu, pintores de pessoas são bem mais raros. E não deixa de ser uma forma de arte.

Conheço uns poucos. Meia dúzia, que nem se apercebem do seu papel de revolução social. E nós, obras de arte deles, nem sempre lhes dizemos o que são, nem sempre nos deixamos assinar (porque nos queremos emancipar e juramos que conseguimos ser “um quadro com pernas”). Hoje em dia, as voltas de mentalidade fazem-se com afecto. E muitas cores, claro.

Tenho vários arco-íris em mim. Felizmente, sou uma daquelas pinturas em que houve muita colaboração, sou composta por estilos e técnicas muito diferentes, graças à capacidade de trabalho de grupo. Resta-me dizer “obrigado” e pôr-me à disposição: assinem-me, exibam-me como obra vossa. E não se preocupem se o efeito final não for o esperado: por muito bom que seja o criador, não muda a qualidade do material.

Sequência de Natureza

As escadinhas vão dar à praia. São de pedra, irregulares, esculpidas pela Mãe Natureza. Há pouca areia: o mar passa o tempo a levá-la e dá-nos apenas breves segundos para a pisarmos e fugirmos a correr da ondulação ligeira e fria. Não sou fanática disto: não passo horas a fitar o horizonte, não adoro o ar salgado que me empesta a pele. Mas confesso que aqui se respira paz. Organizo as ideias por ordem alfabética. Reparei hoje, nos olhos de uma pessoa amiga, quão fácil é fazer os outros sentirem-se bem, ficarem bem. É só querer: e, nesse querer, ficamos bem, também. Numa sequência de vontades, esculpimos degraus em nós, como os da praia. Porque num acto de afecto está muita força natural: está o máximo de natureza que se pode concentrar num só momento. Criamos projectos, muitos projectos. E conhecemos mais pessoas por quem passamos a nutrir carinho, vamos acumulando mais natureza e tornamo-nos seres verdadeiramente emocionais (sim, para além de racionais, somos emotivos, uma qualidade demasiado boa para ser tantas vezes esquecida). Amamos. Vivemos. Sonhamos. Queremos bem.

Pelos outros? Sim. E por nós. Somos egoístas, ecologicamente egoístas (como eu disse um dia, num outro contexto).
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Thursday, September 20, 2007

Minha querida Matilde

A Matilde vive num castelo igual aos da realeza. Tem muralhas altas e muitas nuvens branquinhas como cenário. O envolvimento é tão bonito que, a primeira vez que lá estive, pensei que uma fada tinha colado papel de parede nas janelas. A Matilde não usa vestidos compridos nem uma coroa na cabeça mas é a princesa mais verdadeira que eu já conheci. E, por isso, é muito comovente vê-la a descer do trono, a correr, de encontro aos meus braços. A cabecita dela fica algures entre a minha barriga e, quando ela a vira para cima para me dizer mágicas palavras de bom dia, vejo-lhe os olhos a brilhar. Depois disso, liberta-se e dá-me a mão. É aí que navegamos as duas num pequeno barquinho a remos, de madeira, pelo seu futuro. E vemos coisas lindas, povoadas de ternura e meiguice. Peço-lhe para ficar nas recordações do que está para vir e não espero pela resposta. Deixo apenas o pedido no ar.
Damos um saltinho ao caminho que ainda não desenhei. É com uma exclamação de espanto que me apercebo de todas as mudanças: acreditas, querida Matilde, que antes de aqui vires, nada disto era assim?

Um dia vou querer ser mãe...

Wednesday, September 19, 2007

A borboleta-anjo

Asas. Asas. Asas.

Sonhos. Sonhos. Sonhos.

Era uma vez uma borboleta que queria ser anjo. Queria muito. Queria tanto, de tal maneira que, um dia, mergulhou as suas lindas asas coloridas em lixívia. Desvairada pelo desejo desmedido, não se apercebeu da mutilação que impunha a si mesma: a ruptura com a sua essência, com o que de mais belo havia em si. Ficou doente. Muito fraquinha, deixou de conseguir voar. Já não era sequer borboleta: era só meia borboleta, um quase nada que um dia tinha sido tudo.

Era uma vez um anjo que queria ser borboleta. Queria muito. Queria tanto, de tal maneira que, um dia, pintou as suas lindas asas brancas com lápis de cera de várias cores. Desvairado pelo desejo desmedido, não se apercebeu da mutilação que impunha a si mesmo: a ruptura com a sua essência, com o que de mais belo havia em si. Ficou doente. Muito fraquinho, deixou de conseguir voar. Já não era sequer anjo: era só meio anjo, um quase nada que um dia tinha sido tudo.

Era uma vez uma borboleta linda, linda, linda. Era uma vez um anjo lindo, lindo, lindo. Um dia encontraram-se e amaram-se com tal carinho que se fundiram um no outro. E assim nasceu, no paraíso dos encantos, a coisa mais bonita que se viu até hoje: uma borboleta-anjo, a representação de todos os sonhos e todas as magias do Mundo.

Friday, September 14, 2007

Inventário de Sonhos

Não gosto da melancolia do último gelado de Verão. Refugio-me na minha almofada e ignoro o arco-íris que cria a ponte entre as minha lágrimas e o meu sorriso. Faço birra. Bato com o pé, refilo. Não quero chocolate: quero a areia de volta, quero as ondas, quero gelados a pingar. Abraço-me ao último deste ano e murmuro-lhe palavras de carinho.
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"- Prometes que voltas?"
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Quando trinco o último bocadinho da bolacha, tomo uma decisão: chegou a altura de fazer um inventário de sonhos. Vou -los todos em cima da cama, ordená-los, numerá-los e voltar a encaixa-los em mim. A lista é para guardar dentro da caixa de sapatos que decorarei especialmente para a ocasião. Assim, estou segura: em pleno Inverno, poderei dar férias aos cobertores. Terei o bastante para me aquecer.
No entanto, não deixarei as coisas apenas assim. Tenho medo do papel: não é, de todo, material seguro. Portanto, tirarei uma cópia, imprimida em bocadinhos de nuvem. Vou enrolá-los em forma de canudo e confiarei na Fada Sininho, para que mos guarde para sempre.
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Tuesday, September 11, 2007

Uma viagem

Ente nós há uma distância de dois dedos. Não é uma quebra de harmonia: é simplesmente o espaço que os nossos olhos exigem para se encontrarem e transmitirem entre si raios de lua. Sou pescada. Raptas-me de buga e roubas-me o tempo que o relógio tanto se esforça por impor. Grito que não posso, que nem umas sapatilhas tenho calçadas. Não queres saber. E, apesar dos gritos, a minha revolta não é verdadeira, pelo que me deixo ir, de cabelo ao vento e coração de chocolate. A meio da viagem levo a garrafa de água à boca e percebo o que realmente quero. Quero trocar a mesa onde entretanto me sentei pelo teu colo. Importas-te? Garantes que não e partilhamos a sandes amachucada e barata de um bar de beira de estrada, enquanto o Sol nos adorna o horizonte.

É a minha vez de guiar. Segura-te bem. Rabisco na estrada. Traço uma linha torta com os pneus, curva. Oh sim! A vida não é linear, sabias? A maior parte está na sola dos sapatos, no subsolo de nós. E, com o arrastar de pés e emoções, desgasta-se. A vida e o sentimento que constrói um pilar entre nós e o Mundo. Gosto de contos de fadas. E vejo um no teu sereno respirar de fim de tarde. Amarro-te com um velho xaile de fadista e pergunto, com voz segura: " - O menino dança ou é daqueles que faz fita?". Lá, lá, lá. Olhar e ver. Querer e ter. Ser e não ser, sorrir e não poder. QUERO! Tenho, posso e mando. Somos finos. Trocamos a sandes por lagosta e vinho verde, pomos os restos mortais da hipocrisia dentro de um saco do lixo e misturamo-nos com a multidão da cidade. I don't care. You don't care. But we both know the sunset only lasts very few seconds.

Escolinha

Posso dormir contigo Mamy? Só hoje. Amanhã é o meu último primeiro dia de aulas. Tenho borboletas na barriga e a sensibilidade à flor da pele. Estou nervosa. Tal e qual como no primeiro dos primeiros, quando tu e o pai me abraçaram frente ao portão grande. Não argumentes que estou maior: o portão também cresceu, sabes? Logo, a proporção é a mesma. A situação é a mesma. Eu sou a mesma. Nesta altura volto a ser a criança que fui, sem um pingo de experiência de vida a mais. Não sei sequer que conforto do conhecido é esse de que falas. Tremem-me as pernas e brilham-me os olhos. Tenho medo e muito fascínio. Gosto disto. E o medo é exactamente esse: e se eu um dia me esquecer do quanto gosto disto?

Monday, September 10, 2007

Passados dois anos

Passado um ano: http://formalslang.blogspot.com/2006/09/one-year-later.html

Não te vou dizer que me lembro de ti todos os dias. Mas posso dizer-te, com toda a honestidade, que me assaltas de vez em quando os pensamentos, ligado a uma recordação qualquer. São fragmentos teus: que permanecem vivos e que te fazem permanecer vivo. Porquê? Bem, não eras o meu melhor amigo, em parte por causa da diferença de idades (que, apesar de não ser astronómica, era a suficiente para pertencermos a fases distintas da adolescência). No entanto, tínhamo-nos em muita conta. E tu eras muito do que eu sonho ser.

Sinto muitas saudades. De te encontrar ocasionalmente, de termos longas conversas, de andares comigo às cavalitas, a correr pela escola. Sinto muitas saudades de tudo. De ti, de quem eu era na altura. Das pessoas que nos rodeavam.

Guardo-te aqui dentro (e aqui estás bem).

Friday, August 31, 2007

Inebriação

Engana-me uma vez mais. Imploro-te que agarres em mim e me sussurres todas as mentiras boas que fores capaz de reunir. Que a consciência não te pese: afinal, estás a fazê-lo com o meu consentimento, todas as consequências serão assinadas por mim. Engana-me. Engana-me. Faz de mim gato e sapato, joga os meus sentimentos à parede, ilude-me. Envolve-nos aos dois num nevoeiro escuro e deixa que a densidade astronómica do ar nos sufoque. Tens medo? Estaremos juntos, com todas as mentiras que criámos à nossa volta. Morreremos num ambiente familiar, sem que sejam necessárias despedidas tristes.

Fotografia: http://olhares.aeiou.pt/_das_maiores_invencoes/foto1421120.html

Thursday, August 30, 2007

Jogos de Roda, Parte II

Tenho uma criança a rodar nos meus braços. E a sorrir. Não sei se para mim, se para o Mundo, se para si mesma. O facto é que sorri: como se só ela percebesse a dimensão daquilo que a faz feliz. O que ela não sabe (talvez desconfie…!) é que aquele sorriso torna o Mundo um lugar com menos medo de existir.

Não me sinto a viver um sonho mas sinto-me, definitivamente, a viver a minha vida. E, acreditem, é uma sensação muito boa. Desconfio até que se algumas pessoas soubessem quão bom é, viveriam mais as suas.

* Fotografia: http://olhares.aeiou.pt/s_t/foto1056162.html

Tuesday, August 28, 2007

Oh yeh!

O amor é uma necessidade intrínseca. Depois de algum tempo aqui, neste nosso Mundo (ou Mundo nosso?), percebemos que a nossa tarefa suprema não é nada mais, nada menos do que conhecermo-nos a nós mesmos. E, passado o rasgar de reacção ao ridículo que se desenha na nossa face (afinal, como podemos não nos conhecer?), compreendemos quão complexa é a tarefa. Porque é uma função eterna, que dura exactamente o mesmo tempo que nós. Enquanto vivermos, lutamos desesperadamente pelo conhecimento e enriquecimento de nós mesmos.
É num momento de desespero que sentimos necessidade de trespassar a tarefa. Desejamos secretamente que a pessoa escolhida consiga aquilo que nós não conseguimos e murmuramos ao seu ouvido “conheces-me melhor que eu mesma”. Entregamos a nossa somatognosia e o nosso "eu psíquico" e ficamos assim, à espera que o trabalho apareça feito.
Acontece que, na realidade, sabemos que mesmo que isso seja verdade, não estamos livres do desafio. Afinal, não podemos desistir de nós mesmos. E sabemos que temos que continuar a caminhar e a lutar “enquanto houver estrada para andar”. Contudo, sabemos também que o percurso é muito mais agradável quando estamos acompanhados por quem amamos. Oh, se é!

Friday, August 24, 2007

Madrid

Imagem de: http://simplesmentesuse.blogs.sapo.pt/

Respiro com força o ar da cidade. Nova para mim, coleccionadora de memórias em relação ao Mundo. Prendo-me nos edifícios, balanço o andar, indecisa em passar ao próximo passo ou em ficar eternamente a admirar o postal que é oferecido aos meus olhos. Decido continuar o caminho e não me arrependo. Postal a postal, flor a flor, encanto a encanto, descubro um lugar no qual me sinto encaixar.
As pessoas que passam por mim são fascinantes. Muitas cores, muitos sentimentos estampados nos rostos e nos corações. Aqui, cada um é dono de si mesmo e isso basta. Aqui, goza-se uma coisa que eu gosto muito: liberdade social. E, no entanto, eu não me sinto perdida na indiferença que muitas vezes lhe está associada.

Sunday, August 19, 2007

Lado a Lado

Os melhores concertos são aqueles que se transformam num pacto de paz. São aqueles em que os cantores da plateia cantam pelo menos tanto como os do palco e em que, tanto uns como outros, adoram ouvir-se. São aqueles em que não conseguimos prender a voz na garganta e a largamos, num gesto de pura liberdade. Quando sentimos que somos capazes de ouvir de olhos fechados mas os queremos manter abertos, quando temos os sentidos seduzidos, quando poderíamos ficar ali “até ao fim da vida, ou talvez só até amanhecer”… É aí, nesses concertos, que temos a bola colorida entre as mãos e, como crianças que somos, o Mundo pula e avança.

Nos melhores concertos construímos castelos de sonhos. Apetece-nos saltar para cima do palco, abraçar quem lá está e repetir infinitamente “obrigado, obrigado, por favor continuem”. Sentimos cada música como se fosse nossa. As recordações assaltam-nos, esboçamos um sorriso e afastamo-las, mesmo que momentaneamente, porque o que importa é o presente, este presente (de agora e de mimo). Entrelaçamos os dedos com todos os sentimentos bons que existem e ficamos assim, lado a lado com eles.

Sunday, August 05, 2007

A regressar de nunca ter partido

Dá-me um beijo ruidoso na face. Abraça-me com força, até eu sentir a cabeça a andar à roda e os pulmões a implorarem por oxigénio e diz que gostas de me ver, que tinhas saudades minhas e que estou com um ar saudável de maresia e sonhos.
Dá-me tempo de olhar para ti. Sempre o mesmo, os mesmos tiques de intelectual, a mesma força meiga. Oh meu querido, que falta me fizeste!
Olha-me nos olhos;
“- Como foram as férias?”
“- Boas. E as tuas?”
“- Também”.
A cumplicidade transborda dos sorrisos, dos gestos, da alma. E o Mundo desvia-se de nós, de esguelha, de inveja.
Gritas-lhes que dor de cotovelo é uma coisa muito feia, dás-me o braço e levas-me para um jardim.
“- Tenho tanta coisa para te contar!”
Não precisas, eu sei tudo. Estava lá, lembraste? No Tamisa, nos passeios e nos candeeiros de Londres, nas fachadas dos prédios. Estava em ti. E tu em mim, enquanto deambulava pela praia, a pensar se a minha vida está certa enquanto repetia sistematicamente que a vida não precisa de um certificado de validez.
Sente o meu bronze na tua pele e nota como o meu inglês melhorou. Deixa-me encostar a cabeça no teu ombro e rir, deixa-me dizer-te que tens razão, que vou seguir com a minha vida e ser feliz sem dizer nada a ninguém. Passa-me a mão pela cabeça, faz papel de pai. E deixa-me perguntar-te se usaste boné e atravessaste sempre na passadeira.
Amo-te. Oh, amo-te tanto! Não enquanto rapaz, isso seria restringir a importância que tens na minha vida. Amo-te enquanto pessoa, amo-te o mais que se pode amar um amigo.
Gritemos juntos, a uma só voz, baixinho. Está sol de Setembro, apesar de ainda ser Agosto, e o vento acaricia-nos.
Prometo-te: mesmo que um dia a vida te leve para longe, eu estarei sempre perto. Quanto mais não seja, nas recordações, no coração. Fazes parte das minhas estruturas, somos cada um uma parte que já não cabia no outro e que, por isso, nasceu à parte.
Fica comigo Amigo. Fica em mim e deixa-me ficar em ti.
Anda, vamos ouvir Jorge Palma e ler Mafaldinha. Anda, vamos provar que a amizade é uma coisa concreta. Anda, vamos simplesmente estar um com o outro.

Saturday, August 04, 2007

Um dia...

... eu disse-te:

«Quando achares que não dá mais, bate-me ao de leve no ombro e sussurra-me ao ouvido: “- Chega”. Desfaz o abraço e segue o teu caminho com os chinelos havaianas nos pés. Mas vai devagar: dá-me ao menos tempo para me habituar à tua “não presença”.»

Obrigado. Agora, é comigo mesma.


Nota: Intervalo nas férias. Não resisti. Pronto, estou de novo de férias.

Monday, July 30, 2007

Encerrado para férias

Descanso do pessoal.

PS- A dona Anabela vai sair do Alfa e abrir negócio próprio. O que é óptimo para ela e péssimo para nós. Prometi à Ju que escrevia isso aqui. Afinal, é a única novidade que conseguimos apurar numa tarde de conversa. E eu ainda mando aqui, logo, escrevo o que quero. (Sim, tenho o meu quê de autoritária!).

LOL

Sunday, July 29, 2007

Equilíbrio

"Dá-me um bocadinho mais de ti que eu não consigo sobreviver com tão pouco. Dei-te-me inteira e a parte que consegui recuperar não chega. Preciso de ti para me manter em equilíbrio."

Descobri hoje que tenho mais dificuldade em escrever na primeira pessoa. Por isso as aspas.

PS- É "dei-te-me" ou "dei-me-te"? O verbo é do Bartolomeu.

Saturday, July 28, 2007

Até para o ano

“A Academia de Verão é uma iniciativa da Universidade de Aveiro que visa proporcionar a estudantes do ensino básico 3º ciclo e secundário a oportunidade de viverem e trabalharem durante uma ou duas semanas num campus universitário de excelência. “

"Ó rama, ó que linda rama
Ó rama de Aveiro
O meu P é o mais lindo
Que anda aqui na Academia

Que anda aqui na Academia
Aqui e em qualquer lugar
O P7 é o melhor de todos
E a todos as línguas vamos levar."

AVEIRO É NOSSO.


PS- Não há uma maneira bonita de dizer adeus, principalmente a coisas boas. E vocês sabem, eu não gosto disto aqui.

Thursday, July 19, 2007

Asas (inhas)


Lá ao fundo, bem lá ao fundo. Uma pintinha próxima da linha do horizonte que os seus pequenos olhos alcançavam.
“- Achas que é muito longe?”
“- Tens pressa?”
Caminharam. Lado a lado, mão com mão. O fio que existia entre os seus olhos só se quebrava, de tempos a tempos, para vislumbrarem o pequeno ponto e perceberem se iam na direcção certa. E daí, talvez nem se quebrasse. Talvez esse fio invisível estivesse sempre presente, unindo muito mais do que o olhar. Com a respiração sincronizada, o resto do Mundo ficava muito longe e o paraíso dos sonhos abraçava-os e enlaçava-os e entrelaçava-os. Eles eram esse lugar encantado. Passo a passo, a pintinha lá ao fundo ganhou forma.
“- Uma placa?”
Sim, uma placa. Uma placa daquelas que indicam o início ou o fim de uma localidade. Uma simples placa de beira de estrada, com a única particularidade de não ter nada escrito.
“- E agora, como sabemos que sítio é este?”
Ele agarrou na caneta preta e escreveu. Ela sorriu.

Monday, July 16, 2007

Construções

Estou aberta para obras!

(Sempre ouvi dizer que "comércio fechado é cachet perdido").

Wednesday, July 11, 2007

A trinca da folha de papel

No outro dia fui mordida por uma folha branca. Não foi agradável: não é de todo algo que queira voltar a experienciar. Eu tentava escrever e ela atacava-me. Até que acabei mesmo por ficar ferida. Apliquei dois ou três poemas e a dor passou. Ainda assim, demorei um certo tempo a livrar-me do trauma.

Nota: Fala-se muito em hábitos de leitura: os de escrita são igualmente importantes.

Tuesday, July 10, 2007

Psicanálise


Psicanálise. Mutilações contrariadas, pensos arrancados à força, gestos rudes. Recordações de um passado que chego a ter dificuldade em perceber a quem pertence (pertenceu?). Fusão de histórias, de medos, de sarcasmos e berros contidos. Pesadelos, porrada, incidentes intentados. Turbilhões de ondas de mal-estar descordenado. Colos negados.




E se depois de tanta coisa não chegarmos sequer perto daquilo que queríamos ser?
(Desconfio que sei a resposta).





PS- Anyway, férias são férias. Lembram-se do post dos “Apetites”? Estou a trabalhar para o cumprir ao máximo =)

Foto: http://sopra.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_03.html

Wednesday, July 04, 2007

Rodas, rodopios, círculos


Jogos de roda. Mãos dadas, saltitos que intervalam a elevação alternada de joelhos.

“Um, dó, li, tá, (…) quem está livre, livre está!”

Saio. Perdi, a minha vez acabou-se. Sento-me de pernas cruzadas e vou vendo os outros jogar, enquanto bato palmas e cantarolo a meia voz, quase em falsete.

“Venham! Vamos recomeçar”. Estendo as mãos e sorrio, e volto a dar azo aos pulmões.

A vida tem graça: às vezes é cíclica.

Saturday, June 30, 2007

Dificuldades de afirmação

“Falhámos a vida menino!” (“Os Maias”, Eça de Queirós)

Eu ainda não tenho idade para ter falhado grande coisa, diriam alguns. Aos 16 anos (quase 17), é-se demasiado novo quer para o sentimento conformista que a frase entre aspas implica, quer, vendo as coisas por outro lado, para já se ter “vencido (n)a vida”. No fundo, este meio-termo que comummente apelidamos de adolescência, não passa, aos olhos de parte da sociedade, de um compasso de espera. Com caras de palermas alegres, temos mais é que ir observando e aprendendo, ao mesmo tempo que aguardamos a nossa vez de dar/deixar (ou não) ao/no Mundo o nosso punho e contributo pessoal.

Há uma série de coisas que temos que aprender e interiorizar antes de nos transformarmos em “nós”: como se a nossa essência estivesse congelada cá dentro, há espera do momento oportuno para entrar em ebulição e “sair da toca”. Ora se espera muito de nós, ora somos ignorados. Na verdade, nunca cheguei a perceber muito bem o que pretendem: o nosso Mundo é, a muitos níveis, mais complexo do que o dos nossos pais, pelo que é, à partida, mais difícil ser-se jovem nele. Pressão (de todos os lados e de todas as formas), opressão, ansiedade and so on. As dificuldades são conhecidas, pelo que não me arriscarei a perder a vossa atenção (?) ao enumerá-las exaustivamente. No entanto, ao mesmo tempo que as notas na pauta chegam a ser seguidas com a atenção doentia de quem vê e analisa rankings de escolas, e, paralelamente, nos vão perguntando “o que/ quem queres vir a ser?”, obrigam-nos a espreitar por cima do ombro dos pais para tomar parte nas “conversas de adultos” que estão a decorrer em círculo fechado.

Ser adolescente é uma fase de transição. Mas é uma fase que existe, que é real e que tem um presente. Caracteriza-se pela ânsia de um futuro que se adivinha próximo e pela forma dúbia com que nos encaramos a nós mesmos mas também pela maneira pouco concreta como somos olhados. Nem na fase adulta as coisas são lineares: somos sempre seres mutáveis, Górgias muitas das vezes, em transformação constante.
“Vocês são o amanhã”. Muito obrigado mas “o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em pedaços ao chão” (“On being human”). Atrevamo-nos, por isso, a ser o hoje. Sem pretensões de invadir o espaço de ninguém, obviamente…

Nota: Claro que este pequeno texto é muito geral. E tem contexto próprio. Há quem cultive a situação inversa: mas talvez não sejam “adultos crescidos”. E, talvez por isso, alguns deles tenham quase tantas dificuldades de afirmação como nós…

Wednesday, June 27, 2007

Exames nacionais

Quando começou a semana de preparação para exames, era a favor deles. Fi-los e continuei a favor. Mesmo depois de saírem os critérios de correcção no portal do GAVE (que não provam nada mais que a estupidez de quem os fez) continuei a favor.

Sim, sou aluna e a favor dos exames dos nacionais. São uma das coisas mais estúpidas que já foram inventadas? Também é verdade. São uma solução rude e até um pouco desumana? São. Mas querem o quê, aboli-los e deixar os alunos concorrer só com a nota de frequência? Olhem para o sistema de ensino actual! Olhem para ele nos olhos e digam-me sinceramente: escola públicas, privadas, semi-privadas, cooperativas e de todas as outras qualidades que por aí houver, a bombardearem as universidades com alunos sem passarem por um painel de selecção e controlo? Aqui neste blog ninguém põe em causa a competência dos professores (era o mais faltava!) mas também é preciso ver que não são eles que estão a tentar entrar para a faculdade. (Antes de avançar, é bom que esta questão fique clara, para que não dê azo a interpretações enviusadas: há professores bons e maus, como em todas as outras classes trabalhadoras em que há pessoas competentes e outras que não o são. Na minha opinião, a maioria é bastante razoável. Supostamente, os exames não são para atacar os professores: deviam ser para proteger os alunos).

O problema, a meu ver, está longe de estar nos exames. A questão gira em torno do sistema, podre e antiquado. Reformas, reformas e mais reformas: e que tal se parássemos de aumentar a dose de comprimidos para as dores e partíssemos para a operação geral?

O sistema dos testes nacionais parece-me uma boa opção. Todos os testes feitos ao longo do ano lectivo seriam nacionais: assim, não haveria apenas um dia, uma prova, mas sim uma homogeneização de notas, uma vez que seriam testados os mesmos conhecimentos. Obviamente este é um assunto com “pano para mangas”. Fica apenas uma breve opinião.

P.S.- Só mais uma coisinha… Na segunda-feira, ao entrar para a sala de exame, ouvi alguém dizer: “- Ainda não percebi porque é que precisamos ter nota mínima de 9,5 no exame da disciplina específica, independentemente da nota de frequência”. Concorrer sem preencher pelo menos metade das exigências específicas? Enfim… e olhem que ter 9,5 no exame de História A não vai ser fácil…

P.P.S- Injustiças sempre houve e vai haver. No ensino, na saúde, no comércio… Na sociedade em geral. Não podemos é conformarmo-nos com elas.

Wednesday, June 20, 2007

Apetites

Apetece-me ter boas ideias. Escrever qualquer coisa de que me orgulhe. Compatibilizar a roupa que escolho de manhã com as condições atmosféricas do resto do dia. Apetece-me mudar o quarto: pintar uma parede e arrastar uns móveis. Apetece-me limar as unhas e cortar o cabelo. Apetece-me andar descalça. Apetece-me correr de fato de treino no meio da cidade, passar uma tarde nos baloiços, conversar até de madrugada. Apetece-me beber leite frio, andar de roupão um dia inteiro, dormir. Ir acampar. Apetece-me ouvir música. Abrir os pulmões e cantar Beatles. Apetece-me pôr os livros da Mafaldinha todos em cima da mesa-de-cabeceira. Apetece-me calçar um sapato de cada cor. Gargalhar. Ir às compras, ligar o rádio na frequência máxima, organizar papeis. Pintar nas folhas coloridas que o Galamba me deu (e ir tomar café com ele!). Estar com aquelas pessoas. Ler livros a sério, dos que não se lêem em tempo de exames. Passar horas na “Letra” a sonhar outras tantas no Alfa, a engordar. Apetece-me vestir a saia das pintas. Ir ao cinema. Besuntar o corpo com cremes e tomar banho no momento imediatamente a seguir. Ter um namorado. Ter boas notas. Apetece-me ser parva. Apetece-me ser raptada por extraterrestres. Apetece-me conhecer pessoas. Apetece-me não fazer nada. Apetece-me aspirar debaixo da cama. Pôr bâton do cieiro. Escrever a vermelho. Jogar futebol. Ir à feira. Forrar uma caixa de sapatos, fazer uma almofada com restos de tecidos, escrever um poema.

Apetece-me crescer. Apetece-me ter tempo para fazer isto tudo e muito mais.

Maiô

O vestidinho de dança preto, simples, de lycra, já está acabado. Tem a saia um pouco comprida, pelo que sobe ao mais pequeno movimento, mas o bódi assenta-me bem. Deixa-me as costas destapadas e as alças finas seguram fransinamente tudo o que há para segurar. É confortável, maleável. Com ele, sinto-me uma bailarina de verdade: não que o seja, de todo, mas essa sensação percorre-me num frenesim e ajuda-me a absorver a magia da música. Abandono-me inteira e deixo que o meu corpo seja o capitão dos movimentos pouco sincronizados que o esquema exige de nós.

Querem pôr uns panos de utilidade duvidosa por cima do meu maiô de bailarina e eu não percebo porquê. Adornar o belo é romper-lhe com a simplicidade e, por inerência, torná-lo mais feio. Ficamos muito mais “nós” apenas assim. Era, aliás, desta maneira, que gostava que me descobrisses. De costas nuas, olhos semi-serrados e dedinhos abertos. Com a minha essência toda ao de cima. A descobrir-me a mim mesma e a um mundo inteiramente novo dentro de um pequeno ringue. As bancadas já não me assustam: transmitem-me antes a energia que, aliada à ligeireza dos movimentos, resulta numa explosão de encantamentos.

Rodopio. Elevo-me. Flutuo. Arqueio os braços e os dedos tocam-se, no alto da cabeça. Faço piruetas, piões, saltos. Movo-me, rastejo, deslizo. Ergo-me. O corpo inanimado do quotidiano, ganha uma vida nunca antes descoberta. O cabelo solto, com ondas a caírem-me sobre os ombros, atrapalha. Apanho-o bem no cimo. Um gesto, uma dança.

Visto a capa e deixo de ser eu. “Pelo céu cinzento/ Sob o astro mudo/ Batendo as asas pela noite calada/….”. Vampiros. A luz apaga-se. Medos. Rodas de pesadelos. Choques. Vermelho e preto, numa mistura de sangue e podridão.

Em posição de avião, com o pé bem arrebitado lá a trás e a cabeça bem esticada cá à frente, os patins não pesam. Fazem parte de mim, são uma extensão das pernas. Deito-me em andorinha e deixo de ouvir a música: apenas as rodas a girar violentamente. Com a cabeça tão próxima do chão, as imagens tornam-se também desfocadas e, quando estou a prestes a perder os restantes sentidos, a flecha mata-me e vou a raspar pelos tacos até que a vitalidade me seja novamente concedida.

Mas eis que tocam as cornetas! A corte prepara-se, é anunciada e entra em palco. Princesa? Donzela? Pergunto-te: "Concedes-me esta dança?" Tu mandas, o baile termina. Assim como a imortalidade prometida.
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(Festival dia 23 de Junho)

Monday, June 18, 2007

"Anda daí, já chega"

Envolveu-se nos seus próprios braços em desespero profundo.
A necessidade de um simples abraço, físico ou emotivo, fazia-se sentir mais do que nunca. Não um abraço “químico”, nas duas interpretações que a palavra possa ter. Conforto. Apenas isso.
Colo, aconchego. Fazia calor mas, ainda assim, tapou-se “até ás orelhas” com o frouxel ao xadrez, desejando que o calor que a fazia transpirar fosse, por osmose, transferido para o interior de si.
Puxou os joelhos e encostou-os ao peito. Respirou fundo e tentou, um pouco em vão, controlar os soluços. Tentou concentrar-se em coisas absurdas: “preciso de trocar a fronha a esta almofada”. Escapa um choro mais forte. As mãos tapam a boca, pouco depois de ele ter fugido… Nada a fazer, já ecoava pelo quarto. Bateu nas paredes, fez ricochete e atingiu-a em cheio na alma, provocando um suspiro que se alongou até ao outro dia de manhã.
Os pesadelos da noite agarraram nela e furaram-lhe o coração. O sangue jorrou, fazendo alastrar uma mancha negra dentro de si mesma. Abriram-lhe os pulsos e, de dentro deles, sugaram a força. Voltaram a coser-lhos, como se nada se tivesse passado. Mandaram-na levantar-se, apesar da fraqueza e debilidade, mais do que evidentes.
Caiu no chão, redonda. Entreabriu os olhos e, por causa do esforço, desfaleceu.

“Anda daí. Já chega.”

Notar
“Químico”:
- comprimidos
- paixão

Saturday, June 16, 2007

Exames

Biblioteca.

Exames, exames, exames.

Há vida DEPOIS deles. Até lá camaradas!

Tuesday, June 12, 2007

RRRH



Tapem os ouvidos que eu vou dizer uma coisa muito feia.

(RRRRRRRRRRRHHHHHHH)

Pronto, já está. Destapem-nos.

Sunday, June 10, 2007

Pacotes de Açúcar

Saborear é a melhor coisa do Mundo”.
Namorar é a melhor coisa do Mundo”.
Amar é a melhor coisa do Mundo”.

Decidam-se. Afinal, o que é a melhor coisa do Mundo?

“- O primeiro pacote não pode ser, vamos exclui-lo. Saboreias, comes, ficas gorda. E ser gorda não é a melhor coisa do Mundo”.

(Gargalhada do Hugo).

“- Agora é que é difícil. Uma coisa não implica a outra, mas na prática… Namorar sem amar não é, definitivamente, grande coisa. Mas amar sem namorar? Epa, o raio do pacote devia ser mais explícito!”

“- Oh! Se amas e não namoras é porque não és correspondida. E se é assim, deixas de amar, simples!” (by Rapariga dos cabelos cor-de-rosa, óbvio)

(Eu e o Hugo reviramos os olhos).

“- Exacto, exacto. Adianta contradizer-te? Tão madura numas coisas, tão infantil noutras… Enfim! Mas lá que é difícil de decidir, isso é! Quando amas e és correspondida, achas que é, definitivamente, a melhor coisa do Mundo. Quando não és, achas que não há nada pior que o amor.”

“- Há quem diga que os altos compensam os baixos…”

(Rapariga dos cabelos cor-de-rosa a revirar os olhos).

Eis que chega a dona Anabela, os croissants com chocolate interrompem a discussão (que estava a ser gravada pelo mp3 da Cor-de-rosa. Definitivamente, as nossas conversas davam um programa de rádio).

PS- As falas não estão identificadas com o locutor porque já nem sei quem as disse. Mais uma das minhas crises de identidade… às vezes já nem sei se sou eu ou o Hugo.

PPS- Como é que uma miúda indefesa e desprotegida como a Catarina (a dos cabelos metaforicamente cor-de-rosa) já vai para a faculdade? Bolas, crescer é uma coisa mesmo rápida! Sem ela, isto vai ter, definitivamente, muito pouca piada.

Saturday, June 09, 2007

Lado a lado

Estende uma das mãos, devagarinho. Podes tremer, não faz mal. Afinal, “se morresses agora”, como seria?

(Foi há muito, muito tempo. Muito mesmo. Saíam duas vozes do rádio, enchiam o quarto todo, faziam-me apertar o peito com as mãos. Lado a lado com pessoas que estavam longe, percebi que há concertos que se ouvem de olhos fechados. E que não há mal nenhum em deixar cair lágrimas. Pela noite dentro, as vozes entoavam).

Consegui hoje a gravação. Lado a Lado (Mafalda Veiga, João Pedro Pais).
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(Onde estás tu, Ana? Quem és tu? Definitivamente, não a mesma.)
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E se te deixasses de crises de identidade e te dedicasses a coisas importantes, hem?

Wednesday, June 06, 2007

(O)pressão

Não é uma questão de mudança: suponho que tenha mais a ver com uma gradual influência de factores externos, mais do que com qualquer coisa. Não parte de ninguém, não faz parte de ninguém. É exterior. Estranho, muito estranho.

A influência do meio. Até onde é importante? Até quando? Às vezes penso nisso como numa forma de ópio: enquanto droga, que serve de desculpa e de (des)engano. Enquanto fuga de nós mesmos. Enquanto ilusão irrisória de que o que sentimos é real, é definitivo e é incontestável. Verdades dogmáticas que nos circundam e prendem, traduzindo-se num cativeiro algo honesto. Somos explorados porque isso nos dá prazer, porque ansiamos sempre por mais, porque nos entregamos de livre vontade e consciência, apesar de gritarmos insultos disfarçados de emoção. Fazemos da escravatura nossa escrava. Estendemos as mãos e pedimos que as amarrem. Inclinamos a cabeça e murmuramos um “muito obrigado” sumido.

Os voos são curtos. Mas plenos. Fugazes mas reais. Efémeros. E as quedas tristes, muito tristes. Mas (por vezes) sem lágrimas.

Sunday, June 03, 2007

Baile de Gala

Há coisas que fazem parte. Do Secundário, por exemplo. E que nos fazem sentir verdadeiramente vivos.

Foi muito, muito bom. Nada de “grupinhos”. A ESO, ponto final. E nós somos todos muito giros e ficamos muito bem de fato (viva a auto-estima!).



(A Ju fez falta).

Estranhamente

A vida é a coisa mais estranha que eu já vi na vida. Carece totalmente de lógica e organização. Mesmo quando parece brilhar da limpeza geral que lhe fizemos, há sempre uma gaveta por arrumar.

Felizmente (e isto garanto eu), ser feliz é como andar de bicicleta: nunca se perde o jeito.

Friday, June 01, 2007

Criancinha

La la la.

Gosto à brava deste dia. Gosto mesmo.

"Bah, és uma criancinha!". Ah pois sou, muito obrigado!

Parabéns para mim. E para quem se sentir assim =)

Thursday, May 31, 2007

Brócolos

Os brócolos fazem bem à saúde. Se a tua vida é igual à deles, não estás nada mal!” _ Leonor.

Boa maneira de perspectivar as coisas. Quando for grande também vou ser uma pessoa optimista.

Chora

Se te apetece chorar, chora. Não vou dizer que sabe melhor do que sorrir, mas chega a saber bem.

Há coisas que pioram antes de melhorarem.

Sunday, May 27, 2007

Os nossos LOBOS

Todos temos lobos debaixo da cama ou dentro do armário. É esta a minha opinião sincera. Acontece que, depois de algum tempo de convivência, deixamos de os temer e passamos a coexistir com eles.

Dantes corríamos para a cama dos pais. Chorávamos, tapávamos a cabeça com os lençóis. Dormíamos com a luz acesa, abraçados à almofada ou a um daqueles peluches de pêlo macio.

Entretanto crescemos (e os lobos também) e fomos acumulando toda uma outra série de bichos, monstros mais ou menos assustadores com quem partilhamos as noites e os Domingos chatos. Mas estamos tão habituados a eles e eles a nós que chegamos a ter confiança para fechar a porta do armário ou espreitar para debaixo da cama e dizer: “Xiu, deixa-me dormir”.

Não que eles sejam inofensivos, claro. Continuam a ter garras e dentes afiados. E obviamente não deixaram de rugir e uivar para aprenderem a miar. Mas estão mais mansos: chegam a ronronar quando lhes passamos a mão pelo dorso.

Um novo lobo é sempre difícil de domesticar. Salta-nos em cima a meio de um sonho, dá-nos murros que se traduzem em olheiras escuras e profundas, arranca-nos os cabelos um a um (ou pinta-os de branco), faz-nos bater com a cabeça nas paredes. No fundo, acrescenta-nos um pouco mais de loucura. Mas continuamos a ser nós os seres racionais que, mais tarde ou mais cedo, ganham a luta.

É um círculo vicioso. Lobo atrás de lobo, monstro a monstro, fera a fera, construímos um caminho que nunca chegamos a perceber bem qual é. Agigantamo-nos, aumentamos, amadurecemos. O que não podemos mesmo é deixar de querer procriar lobos. Porque no dia em que isso acontecer, morremos por dentro.

Como o Pedrinho me perguntou (e que bem perguntado Pedrinho!): “quando conseguimos o que queremos, será que ainda queremos o que conseguimos?”. Claro que não. Queremos sempre mais, e ainda bem que assim é (desde que a ambição não seja desmedida). Porque no dia em que dissermos, definitivamente, “estou bem assim, não faço mais nada”, conformamo-nos. E o conformismo é, definitivamente, um veneno coercitivo.

(No entanto Pedrinho, ficamos muito felizes quando conseguimos o que queríamos. E matamos uns quantos lobos rebeldes).

Friday, May 25, 2007

Somatognosia

Volta tudo, num turbilhão de emoções. Vozes ao longe, soam alto. Dessincronizadas, é certo, mas audíveis. O burburinho atmosférico percorre-me enquanto elas brincam com o corpo e com a música em cima do palco. Encontro-me também eu em cima de um palco/ringue, sem tom nem som. Perco de completo a somatognosia e prossigo devagar, sem saber bem o que faz ou não parte de mim.
Desperto.
(Bato e oiço palmas).

Que bom que é crescer!

Fase do enterro

Em plena fase do enterro, como diz o Pedrinho.
E ainda vai durar pelo menos mais um mês...

"Estou bem, cansada e rabugenta".

Tuesday, May 22, 2007

Piolhos do Mundo

O Mundo tem piolhos. Dos grandes, que sugam o sangue até à última gota.

Apetece-me abraçá-lo (ao Mundo), acarinhá-lo, sentá-lo nos meus joelhos e, com um daqueles pentes especiais, caçar os piolhos um a um, eliminá-los a todos.

PS- E começarem a convocar-nos, não? Isso é tudo medo dos alunos?

Sunday, May 20, 2007

Amar

Amar é querer muito. Para o outro, do outro, o outro.
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Exprime-te.
Rogo-te que dances. Não é difícil: não te pedi que fosses bailarina.

(Todos filosofamos e poucos somos filósofos.)

Tuesday, May 15, 2007

Baile de Gala: o evento

Critiquem-nos à vontade. Mas sejam realistas, se não for disso, falamos de quê? Vivemos em Ourém e as nossas vidas são semelhantes à de um molho de brócolos. Capiche?

“Suicídio social”. No entanto, “antes comprá-lo que convidá-lo”.

Enfim, quando o outro não lhe corta as asas, somos felizes.

Friday, April 27, 2007

O Arco-Íris Desaparecido

(Para a rapariga dos cabelos cor-de-rosa)
“Uuuh, arco-íris! Ei, arco-íris!”
Choveu e fez sol, mas nada de arco-íris. Recusou-se a aparecer, mesmo quando chamámos por ele em cima dos bancos do jardim. Corremos pela mata, procurámos debaixo dos baloiços, revistámos os cacifos suspeitos, vasculhámos entre os vimes do lago. Nada, não estava em lado nenhum.

“Bolas, tem que haver uma razão!”
Pesquisámos em livros, perguntamos a eruditos, pedimos os pozinhos à Sininho. Nada, nem uma mera hipótese conseguimos formular.

“Pensa, pensa!”

O sol não foi suficientemente forte, só isso. Não podes esperar que há primeira nesga o arco-íris venha. Ele é o símbolo da vitória. E a terra ainda nem secou…

Wednesday, April 25, 2007

Novas Oportunidades

Tem havido muita polémica à volta dos anúncios da campanha “Novas Oportunidades”, que mostra o percurso que várias figuras públicas poderiam ter tido se não tivessem estudado. As críticas voam de todo o lado: é acusado de humilhar e menosprezar determinado tipo de empregos e de distinguir “o bom do mau” em função das qualificações académicas.

Li recente um artigo do José Diogo Quintela, com o qual não pude deixar de concordar plenamente. Obviamente que todas as pessoas são necessárias à sociedade e que todas as profissões são notáveis, quando desempenhadas com empenho e profissionalismo. É ridículo pôr isso em causa. Tal como é pacóvia a ideia de que toda a gente tem que ser doutor ou engenheiro (viu-se recentemente o provincianismo, aliás).

No entanto, eu não conheço nenhuma criança que, ao ser questionada sobre a profissão que gostaria de exercer aquando o crescimento, responda “empregada doméstica” ou “limpa-chaminés”. E tal como uma mãe não põe sequer a hipótese que um filho abandone os estudos precocemente, porque quer o melhor para ele, um país também quer o melhor para os seus cidadãos.

Pessoalmente, considero o nome da campanha muito feliz. As pessoas são livres de abandonarem os estudos após a conclusão da escolaridade obrigatória. Porém, não o devem fazer por não terem tido outra oportunidade ou por falta de informação!

“Aprender compensa”. E não é só o saber universitário.
(O certo é que o objectivo da publicidade é criar polémica e marcar. E lá isso, eles conseguiram!)

"A Morte saíu à Rua"


A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai


O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte: o Pintor morreu


Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou


Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

Zeca Afonso

O Pintor não morreu, o Pintor foi assassinado.

Arrepio-me toda com esta canção.

Hoje sinto orgulho em ser portuguesa.

Saturday, April 21, 2007

Tempo(s); pessoa(s)

Foi há um ano que ela (a dos cabelos cor-de-rosa) o conheceu. Hoje é que faz mesmo um ano. Parece que foi há mais tempo? Parece. Mas é mesmo assim, o tempo espacial e o psicológico nem sempre estão de acordo. Há coisas que parece que foram ontem e se passaram há dez anos, há outras que aconteceram ontem e, no entanto, estão gravadas na memória da mesma maneira que as recordações realmente antigas.

Tal e qual como as pessoas: marcam-nos durante diferentes períodos de tempo. Uma tarde, duas noites, meses, anos, para toda a vida. Durante a infância, a fase do liceu, a independência da década dos 20 (anos), o vizinho do lado da velhice, ou, para toda a vida.

Há outras que, para além de serem para toda a vida, marcam um ponto de viragem. Passa a haver o antes e o depois.

No entanto, e apesar de todos os dias e pessoas serem importantes, porque, no fundo, fazem parte da nossa vida e não podia haver motivo que as tornasse mais indispensáveis, há a(s) pessoa(s) que faz(em) parte de nós. Para essa(s) não há nenhum antes nem depois, não há o “para a vida”. Há sim o “durante”. Porque faz(em) parte de nós desde sempre: podemos não ter simplesmente a sorte de a(s) ter conhecido(s) fisicamente desde o principio. Mas há alguém que duvide realmente que estava(m) cá?

PS- Qual é o caso dela?
PPS- (O meu, eu sei qual é).

Thursday, April 19, 2007

Sininho

Encosta a tua mão ao meu peito e sente. Percebes? Agora encosta ao teu. Estás viva Sininho! Que queres mais? O resto depende de ti.

“Às vezes até parece que andamos fora de mão. Às vezes até parece que amamos fora de mão." Dá uma guinada forte e põe-te no sítio.

Sunday, April 15, 2007

Um ano depois (Luis Represas)

Estava para escrever “Um ano depois – a decadência!”. Mas não houve decadência nenhuma. Na prática, foi só uma continuação. Há concertos em Fátima, nós vamos. Simples.

Quanto à rapariga dos cabelos cor-de-rosa, os medos dissiparam-se (?). As pernas ainda lhe tremeram um bocadinho à entrada mas aguentou-se bem. Além disso tinha outras coisas em que pensar (por exemplo, qual a melhor maneira de criticar a amiga do outro amigo). Ou seja, eu a pensar que hoje fazia um grande post, a abarrotar de hipérboles, e ela destruiu-me o tema. Sim, porque se não for ela, isto fica curto.

Claro que há sempre coisas de que falar. Afinal, um concerto em que a média da faixa etária às 21h40 (o concerto começava às 21h30) rondava os 50 anos, tem que ter coisas para contar. Mas enfim, lá para as 22h já não nos sentíamos tanto uma ilha (começaram a chegar crianças de 5 e a média equilibrou). Posso começar por referir, só para motivar a leitura, a entrada triunfante da rapariga dos cabelos cor-de-rosa na casa de banho… dos homem!
Antes das luzes se apagarem ainda houve tempo para um punhado de parvoíces. Deu para tirar umas fotos um tanto ou quanto apatetadas (nesta parte a Sininho vai-se lembrar da tal foto e corre o risco de cair da cadeira de tanto rir) e para o simpático senhor da fila da frente nos advertir cordialmente de que caso a barulheira continuasse nos punha na rua a pontapé (estive mesmo para lhe responder “- Eu já fui expulsa de uma galeria do British Museum por um homem com o dobro do seu tamanho e uma metralhadora nos braços. Acha que me intimida??”).

O concerto em si foi muito bom. Muito bom mesmo. Boa música, boa presença, bom espectáculo. E muito boas letras, como disse a Sininho. Capazes de provocar sentimentos fortes.

Em memória ao ano passado, fila de autógrafos. Nesta parte ela estava claramente nervosa. Compreende-se. “Estou a 5 metros de ti”. Lá se foram as defesas, a miúda ia desfalecendo. Claro que não é a mesma coisa, afinal, passou-se um ano. Não estávamos “gargalhadamente bêbedas” mas a situação era incomodamente semelhante. Não nos convidaram para irmos para uma garagem, de carrinha, mas falaram numa discoteca qualquer e voltaram a dizer mal do Arte. E ela fugiu. Deixou-o lá, decepcionado, e fugiu. Serão as muralhas tão fortes como aparentam?

Enfim…
"- Podia pedir ao seu pianista para nos dar um autógrafo?"

“- Eu a dormir na aula e o Mário João a tirar os apontamentos para mim”
“- O Mário João? Pensei que era a Luz que te fazia as anotações!”

“- Aposto que ela calça o 34”
“- Sininho, calças que número”
“- O 34!”

“- Então, tu és presidente, ele é primeiro deputado, tu és suplente do Colégio. E tu, que calças o 34, és o quê?”
“- Só uma aluna”
“- Já és mais que o Gonçalo”
(Ah, claro, ainda falta a aposta! Uma tablete de chocolate das grandes!)

Thursday, April 12, 2007

Está-se tão bem...

... quando se está feliz!

"estranhamente bem".

Wednesday, April 11, 2007

Mal/bem-me-quer

Na minha primeira infância, em casa da minha avó, eram os malmequeres campestres que decidiam o desfecho das histórias de bonecas que inventava. Ia retirando as pétalas, uma a uma, numa ilusão e abstracção absurdas. Repetia baixinho a cantilena “bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer…” e, dependendo do resultado, a boneca heroína tinha ou não o destino de sonho de qualquer criança.

Parecia-me um bom método! Afinal de contas, ilibava-me de todas as responsabilidades! No entanto, um dia destes, ao arrancar, distraída, uma das tais flores, pus-me a pensar. Que flor tão pessimista! À partida, só pelo nome, malmequer, pressupõe um resultado negativo. Não é lá muito honesto, na minha opinião. De certeza que foi alguém com muito pouca sorte que deu o nome à pobre flor. Se temos 50% de probabilidade de que a última pétala seja “bem-me-quer”, porquê escolher a opção mais derrotista para nome?


Bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer,


bem-me-quer.




Sunday, April 08, 2007

Galinha da Páscoa

Ovos da Páscoa. Coelho da Páscoa?


Não tinha mais lógica uma Galinha da Páscoa?

Thursday, April 05, 2007

Toledo

Aqui, sob a sombra da fachada dos prédios, iluminados pela luz ténue dos candeeiros de rua, os sentimentos ganham forma, tonificam-se e aperfeiçoam-se. Os passeios ondulam à nossa passagem. As árvores acenam, o barulho dos carros ao longe soa a música. As pessoas passam por nós e sorriem, em sinal de concordância de emoções. Apetece abrir os braços e rodopiar, lançar a cabeça para trás e rir abertamente, de felicidade. Porque não? É o que fazemos. A cidade-museu abraça-nos, aconchega. E a cumplicidade
cresce.

Aqui, sob a sombra da fachada dos prédios, iluminados pela luz ténue dos candeeiros de rua, a vida adquire uma simplicidade infantil. E, no entanto, é o crescer que se sente. E é essa nova maturidade que nos leva a falar connosco mesmos, como numa conversa serena e franca com o melhor amigo. Voltamos a abrir os braços e a rodopiar.

A cidade de conto de fadas tem vida.

Tuesday, March 27, 2007

U. Independente

Ah pois, as privadas é que funcionam bem, têm toda a razão!

(Ironiazinha)

Monday, March 26, 2007

Breve pensamento

Aos dezasseis anos (bem como durante o resto da adolescência) não se é, na generalidade, nem pior nem melhor do que noutras idades. Não amamos nem sofremos menos, não somos nem mais nem menos responsáveis, não somos menos inteligentes por natureza, não somos menos maduros que o adulto médio.
E também não estamos mais perdidos do que o resto da sociedade.

Friday, March 16, 2007

Ex-Futuro


O ex-futuro.

Ela (a mesma rapariga dos cabelos cor-de-rosa) inventa verbos e tempos verbais. Na verdade, as nossas conversas de adolescentes deviam ser encaradas como um enriquecimento da língua portuguesa. Estes neologismos surgem, para além da constante necessidade de nos exprimirmos, da urgência diária em adaptar as palavras ao que efectivamente sentimos. Não, não é passado. Afinal, nunca foi presente.

Quantas vezes não nos acontece passarmos ao lado das coisas que estavam para acontecer, que iam acontecer e que… desaparecem, num repetente trágico. Nunca foram nada, estavam para ser. Simplesmente não tiveram tempo (ou sofreram a interferência de outro factor externo) ou acabaram antes de começar.

Foi. Não foi? Não, esteve para ser.


(A recordação boa de qualquer coisa que nunca existiu, como dizia a outra).

Thursday, March 15, 2007

Existi(ndo)



A vida não é contínua.

Existir, existimos todos os dias. Viver, não. Um bocadinho aqui, outro ali, outro acolá, no dia a seguir, depois, cinco meses seguidos, uns minutinhos…

Ora vivemos, ora vegetamos. Ora vivemos, ora vegetamos. Ora vegetamos, ora vivemos. E assim sucessivamente, pela nossa existência fora…

Ora sorrimos (com a alma), ora nos entregamos à rotina e às coisas pré-construídas e pré-concebidas. Ora somos nós, ora não somos nada nem ninguém.

Nota: Nem sempre vegetar é mau: eu, pessoalmente, prefiro pensar nisso como necessário. Para dar tempo de sonhar para o próximo pedaço de vida. Em tudo precisamos de intervalos, não é? Resta saber se intervalamos da vida ou do estado de vegetação.

Friday, March 09, 2007

Parlamento dos Jovens

Chama-se energia pura. Foi tão bom! Estas coisas são sempre boas. Pessoas novas, ambiente diferente, as coisas a acontecerem e a mudarem a todo o minuto, o coração a bombear com força. Dias intensos, a fazer coisas de que gostamos. E por muito que depois as queiramos traduzir por palavras, torna-se difícil. Gostaríamos que ficasse gravado, para sempre, para que pudéssemos ver e rever. E mostrar aos outros.

E depois, as saudades apertam. Mas fica cá dentro aquela força, aquela adrenalina, o nervoso bom. Ficam as pessoas. E fica a certeza de que voltaremos para o ano.

Tuesday, March 06, 2007

Criança (?) encantadora

Hoje tive a oportunidade de ouvir uma encantadora garota de 7 anos a falar dos seus problemas sentimentais.
A garota que, para além de encantadora é também inteligentíssima, dividiu-os em duas vertentes para me facilitar a compreensão.
Começou por aqueles que mais a atormentavam, os da amizade. Tinha-se chateado com a melhor amiga, aquela que sentia conhecer desde os primórdios da infância(?), por um motivo tolo. Não tinham chegado a consenso sobre um assunto qualquer. Mas o problema não foi esse, obviamente. Nem sempre chegamos a acordo com os outros, é preciso encarar isso com naturalidade. A dificuldade foi não terem aceite ouvirem-se uma à outra. Agarram-se àquilo em que acreditavam e não quiseram saber de mais nada. E agora, a minha pequena, arrependida, perguntava-se a si mesma por que razão será tão difícil dar o braço a torcer e pedir desculpa. Mas lá chegou à conclusão que o mais importante é sem duvida a amizade e garantiu-me que amanhã já vai falar com a amiga e resolver tudo. Afinal, a falar é que as pessoas se entendem, certo?

Havia ainda outra coisa que a atormentava… O rapaz a quem entregara a infância (a quem se entregara, por olhares, por sorrisos tímidos, nos dedos que entrelaçaram um dia, no rosto que teima em corar quando o vê, na inocência pura dos seus sete anos, tão bem vividos), já não parece o mesmo. Está estranho, já não lhe liga. Ela desconfia até que se interessou por outra menina da turma, que tem caracóis no cabelo. E a minha menina não quer outro rapaz: é daquele que ela gosta.
Perguntei-lhe: “quando gostavas dele e ele de ti, deixavas os amigos de parte, vivias para ele, o teu Mundo resumia-se à vossa relação?”. Atrapalhada, confusa com as minhas palavras de adolescente armada em esperta, respondeu qualquer coisa como “não, o meu Mundo começava aí”.

E eu calei-me. Que mais podia fazer, perante uma resposta destas? Sustive a emoção, apercebi-me que estou de facto a envelhecer. E passei o resto do dia mergulhada nos meus pensamentos. Será que a encantadora criança tem noção que as relações interpessoais não evoluem nada com o passar do tempo? Talvez não. Eu não tinha, mas era menos esperta do que ela. Sempre pensei que os adultos fossem mais…adultos! Mais maduros nas escolhas, no modo como lidam uns com os outros. Agora, à medida que me aproximo dessa desengraçada fase da vida, vou-me apercebendo que eles são bem piores do que a minha pequena. Se há coisa em que regredimos ao longo da vida é nisso.

Deixamos de ter adultos superiores a nós que nos mandem calar e pedir desculpas e, pura e simplesmente, deixamos de o fazer ou reduzimos o diálogo e a compreensão a certas e determinadas situações. Desenvolvemos a arrogância e a teimosia e vivemos com estas características como se fizessem parte de nós.
Mas como é politicamente correcto, os adultos passam a gritar em casa, entre paredes, escondidos do Mundo. As mulheres deixam o marido ou o namorado e sofrem desalmadamente, como se metade da alma lhes tivesse sido arrancada. Ou são deixadas, e ficam sem a alma toda. Lutam por bens que julgam seus por direito, como se essas coisas, coitadas, absolutamente desprovidas de valor, completassem o bocado interior que lhes falta.
E apoiam-se então nos amigos. Umas, apoiam-se efectivamente nos amigOs. Outras, mais pudicas talvez, buscam o ombro e os lenços das amigas e vestem-se de preto. Depois zangam-se, por um qualquer motivo absurdo (o egocentrismo da primeira, provavelmente, que só pensa na sua tragédia pessoal) e nunca mais se falam.

A minha teoria é que à medida que vamos crescendo vamos libertando a criança imatura e desconexa que há em nós. Se há pessoas a quem assusta a velhice, a mim assusta-me primordialmente a idade adulta.

Monday, February 19, 2007

Ilhas Britânicas

Eles lá, eu cá.

Eles rodeados por água e eu no país que está a um passo de se afundar.

(3 dias para voltar a estar com eles).

Thursday, February 15, 2007

Dissertação

Será impossível uma relação de amizade sobrepor-se (sem interferir) numa de hierarquia?
Não, não pode ser impossível. Até porque se fosse, as nossas amizades seriam deveras restritas.
Em praticamente todos os aspectos, todos temos várias conexões de hierarquia com os outros. Ainda sem entrar no campo profissional, posso referir, apenas a título de exemplo, o grau de simpatia, o de inteligência, o de beleza, o de arrogância, etc. O facto de sermos todos diferentes é isso mesmo: sermos melhores numas coisas, piores noutras e absolutamente neutros em alguns aspectos. E o que é isso se não relações de hierarquia?

Agora sim, enveredando pela área profissional, exemplifiquemos com base na ligação professor-aluno e vice-versa (até porque é a única de que eu posso falar com base na experiência). Será possível um professor ser realmente amigo de um aluno (confiar, falar, ouvir, apoiar), desafiando todas as leis da diferença de idades, do burburinho coscuvilheiro dos outros, entre inúmeros outros obstáculos que se nos apresentam à vista sem o menor esforço de raciocínio, não permitindo que essa amizade intervenha nas aulas e nas notas do aprendiz? E o contrário (aluno-professor), é praticável?

Obviamente que sim. Tudo isto é possível e deve ser estimulado. Tanto o interesse dos alunos pela escola como a motivação do professor pelo ensino advêm exactamente destas relações, bem como pelas de alunos-alunos e professores-professores. Em quase tudo na nossa vida (atrever-me-ia até a omitir o “quase”) somos movidos pelo carácter humano e social das coisas. E ainda bem que assim é.

Em suma, e pelo exposto, talvez fosse até por aqui que se devessem tomar as decisões políticas relativas ao ensino. Acabando com preconceitos e pré-conceitos formulados, devia-a apostar-se nas relações interpessoais para reinar. Dividindo, com base em hierarquias demasiado naturais para terem valor além disso e tentando criar hierarquias fortes e tolas, não vamos a lado nenhum.

Informação de Exames II

Enfim, Correio da Manhã= a alterações de informação. Estava mesmo a prever.
Aqui ficam as datas dos exames da minha área (confirmadas pelo Ministério da Educação) e mais alguma preciosa informação.

Inscrições para os exames:
· 1º fase: Prazo normal: 26 de Fevereiro a 9 de Março
Prazo suplementar: 12 e 13 de Março
· 2º fase: Prazo único: 6 a 10 de Junho

Os exames realizam-se entre:
· 1º fase: 18 a 26 de Junho
· 2º fase: 12 a 17 de Julho

Exames da 1º fase:
Filosofia, 18 de Junho, 15h00
Matemática Aplicada às Ciências Sociais, 21 de Junho, 11h30
Geografia A, 25 de Junho, 09h00

Exames da 2º fase:
Filosofia, 12 de Julho, 11h30
Geografia A, 12 de Julho, 17h30
Matemática Aplicada às Ciências Sociais, 13 de Julho, 11h30

Afixação de Pautas
· 1º fase: 6 de Julho
· 2º fase: 27 de Julho

Afixação do Resultado das Reapreciações:
· 1º fase: 10 de Agosto
· 2º fase: 31 de Agosto

(Repararam na mudança estética do blog? Que tal?)

Thursday, February 08, 2007

Dia 11, Referendo sobre a IVG: VOTE SIM

Jovens Pelo SIM


A consciência é de cada um. A saúde é um direito de TODOS. A cada 6 minutos, morre no Mundo uma mulher vítima de aborto clandestino. VOTA SIM

Quero reiterar uma vez mais que a pergunta do referendo é "DESPENALIZAÇÃO, sim ou não?" e não "aborto, sim ou não?".

Justiça social.

(Seja qual for a tua opinião, vai votar. Exerce o teu dever/direito. Nem que o teu voto seja em branco: VOTA!)

Informação de Exames


Instituto
PET: 09/06
FCE: 16/06

Escola
Filosofia, 1º fase: 18/06 *
Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), 1º fase: 19/06*
Geografia A, 1º fase: 25/06*
* Segundo o Correio da Manhã (ou seja, datas com MUITO pouca veracidade, muito susceptíveis a alterações)

Provas Modelo e Informção de Exame no Site do GAVE: http://www.gave.pt/informacoes_exame_2007.htm
Provas de Exame do ano passado, 1º fase: http://www.gave.pt/pe2006fase1.htm
Provas de Exame do ano passado, 2º fase: http://www.gave.pt/pe2006fase2.htm