Apetece-me ter boas ideias. Escrever qualquer coisa de que me orgulhe. Compatibilizar a roupa que escolho de manhã com as condições atmosféricas do resto do dia. Apetece-me mudar o quarto: pintar uma parede e arrastar uns móveis. Apetece-me limar as unhas e cortar o cabelo. Apetece-me andar descalça. Apetece-me correr de fato de treino no meio da cidade, passar uma tarde nos baloiços, conversar até de madrugada. Apetece-me beber leite frio, andar de roupão um dia inteiro, dormir. Ir acampar. Apetece-me ouvir música. Abrir os pulmões e cantar Beatles. Apetece-me pôr os livros da Mafaldinha todos em cima da mesa-de-cabeceira. Apetece-me calçar um sapato de cada cor. Gargalhar. Ir às compras, ligar o rádio na frequência máxima, organizar papeis. Pintar nas folhas coloridas que o Galamba me deu (e ir tomar café com ele!). Estar com aquelas pessoas. Ler livros a sério, dos que não se lêem em tempo de exames. Passar horas na “Letra” a sonhar outras tantas no Alfa, a engordar. Apetece-me vestir a saia das pintas. Ir ao cinema. Besuntar o corpo com cremes e tomar banho no momento imediatamente a seguir. Ter um namorado. Ter boas notas. Apetece-me ser parva. Apetece-me ser raptada por extraterrestres. Apetece-me conhecer pessoas. Apetece-me não fazer nada. Apetece-me aspirar debaixo da cama. Pôr bâton do cieiro. Escrever a vermelho. Jogar futebol. Ir à feira. Forrar uma caixa de sapatos, fazer uma almofada com restos de tecidos, escrever um poema.
Apetece-me crescer. Apetece-me ter tempo para fazer isto tudo e muito mais.
Apetece-me crescer. Apetece-me ter tempo para fazer isto tudo e muito mais.

