Wednesday, June 20, 2007

Maiô

O vestidinho de dança preto, simples, de lycra, já está acabado. Tem a saia um pouco comprida, pelo que sobe ao mais pequeno movimento, mas o bódi assenta-me bem. Deixa-me as costas destapadas e as alças finas seguram fransinamente tudo o que há para segurar. É confortável, maleável. Com ele, sinto-me uma bailarina de verdade: não que o seja, de todo, mas essa sensação percorre-me num frenesim e ajuda-me a absorver a magia da música. Abandono-me inteira e deixo que o meu corpo seja o capitão dos movimentos pouco sincronizados que o esquema exige de nós.

Querem pôr uns panos de utilidade duvidosa por cima do meu maiô de bailarina e eu não percebo porquê. Adornar o belo é romper-lhe com a simplicidade e, por inerência, torná-lo mais feio. Ficamos muito mais “nós” apenas assim. Era, aliás, desta maneira, que gostava que me descobrisses. De costas nuas, olhos semi-serrados e dedinhos abertos. Com a minha essência toda ao de cima. A descobrir-me a mim mesma e a um mundo inteiramente novo dentro de um pequeno ringue. As bancadas já não me assustam: transmitem-me antes a energia que, aliada à ligeireza dos movimentos, resulta numa explosão de encantamentos.

Rodopio. Elevo-me. Flutuo. Arqueio os braços e os dedos tocam-se, no alto da cabeça. Faço piruetas, piões, saltos. Movo-me, rastejo, deslizo. Ergo-me. O corpo inanimado do quotidiano, ganha uma vida nunca antes descoberta. O cabelo solto, com ondas a caírem-me sobre os ombros, atrapalha. Apanho-o bem no cimo. Um gesto, uma dança.

Visto a capa e deixo de ser eu. “Pelo céu cinzento/ Sob o astro mudo/ Batendo as asas pela noite calada/….”. Vampiros. A luz apaga-se. Medos. Rodas de pesadelos. Choques. Vermelho e preto, numa mistura de sangue e podridão.

Em posição de avião, com o pé bem arrebitado lá a trás e a cabeça bem esticada cá à frente, os patins não pesam. Fazem parte de mim, são uma extensão das pernas. Deito-me em andorinha e deixo de ouvir a música: apenas as rodas a girar violentamente. Com a cabeça tão próxima do chão, as imagens tornam-se também desfocadas e, quando estou a prestes a perder os restantes sentidos, a flecha mata-me e vou a raspar pelos tacos até que a vitalidade me seja novamente concedida.

Mas eis que tocam as cornetas! A corte prepara-se, é anunciada e entra em palco. Princesa? Donzela? Pergunto-te: "Concedes-me esta dança?" Tu mandas, o baile termina. Assim como a imortalidade prometida.
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(Festival dia 23 de Junho)

Monday, June 18, 2007

"Anda daí, já chega"

Envolveu-se nos seus próprios braços em desespero profundo.
A necessidade de um simples abraço, físico ou emotivo, fazia-se sentir mais do que nunca. Não um abraço “químico”, nas duas interpretações que a palavra possa ter. Conforto. Apenas isso.
Colo, aconchego. Fazia calor mas, ainda assim, tapou-se “até ás orelhas” com o frouxel ao xadrez, desejando que o calor que a fazia transpirar fosse, por osmose, transferido para o interior de si.
Puxou os joelhos e encostou-os ao peito. Respirou fundo e tentou, um pouco em vão, controlar os soluços. Tentou concentrar-se em coisas absurdas: “preciso de trocar a fronha a esta almofada”. Escapa um choro mais forte. As mãos tapam a boca, pouco depois de ele ter fugido… Nada a fazer, já ecoava pelo quarto. Bateu nas paredes, fez ricochete e atingiu-a em cheio na alma, provocando um suspiro que se alongou até ao outro dia de manhã.
Os pesadelos da noite agarraram nela e furaram-lhe o coração. O sangue jorrou, fazendo alastrar uma mancha negra dentro de si mesma. Abriram-lhe os pulsos e, de dentro deles, sugaram a força. Voltaram a coser-lhos, como se nada se tivesse passado. Mandaram-na levantar-se, apesar da fraqueza e debilidade, mais do que evidentes.
Caiu no chão, redonda. Entreabriu os olhos e, por causa do esforço, desfaleceu.

“Anda daí. Já chega.”

Notar
“Químico”:
- comprimidos
- paixão

Saturday, June 16, 2007

Exames

Biblioteca.

Exames, exames, exames.

Há vida DEPOIS deles. Até lá camaradas!

Tuesday, June 12, 2007

RRRH



Tapem os ouvidos que eu vou dizer uma coisa muito feia.

(RRRRRRRRRRRHHHHHHH)

Pronto, já está. Destapem-nos.

Sunday, June 10, 2007

Pacotes de Açúcar

Saborear é a melhor coisa do Mundo”.
Namorar é a melhor coisa do Mundo”.
Amar é a melhor coisa do Mundo”.

Decidam-se. Afinal, o que é a melhor coisa do Mundo?

“- O primeiro pacote não pode ser, vamos exclui-lo. Saboreias, comes, ficas gorda. E ser gorda não é a melhor coisa do Mundo”.

(Gargalhada do Hugo).

“- Agora é que é difícil. Uma coisa não implica a outra, mas na prática… Namorar sem amar não é, definitivamente, grande coisa. Mas amar sem namorar? Epa, o raio do pacote devia ser mais explícito!”

“- Oh! Se amas e não namoras é porque não és correspondida. E se é assim, deixas de amar, simples!” (by Rapariga dos cabelos cor-de-rosa, óbvio)

(Eu e o Hugo reviramos os olhos).

“- Exacto, exacto. Adianta contradizer-te? Tão madura numas coisas, tão infantil noutras… Enfim! Mas lá que é difícil de decidir, isso é! Quando amas e és correspondida, achas que é, definitivamente, a melhor coisa do Mundo. Quando não és, achas que não há nada pior que o amor.”

“- Há quem diga que os altos compensam os baixos…”

(Rapariga dos cabelos cor-de-rosa a revirar os olhos).

Eis que chega a dona Anabela, os croissants com chocolate interrompem a discussão (que estava a ser gravada pelo mp3 da Cor-de-rosa. Definitivamente, as nossas conversas davam um programa de rádio).

PS- As falas não estão identificadas com o locutor porque já nem sei quem as disse. Mais uma das minhas crises de identidade… às vezes já nem sei se sou eu ou o Hugo.

PPS- Como é que uma miúda indefesa e desprotegida como a Catarina (a dos cabelos metaforicamente cor-de-rosa) já vai para a faculdade? Bolas, crescer é uma coisa mesmo rápida! Sem ela, isto vai ter, definitivamente, muito pouca piada.

Saturday, June 09, 2007

Lado a lado

Estende uma das mãos, devagarinho. Podes tremer, não faz mal. Afinal, “se morresses agora”, como seria?

(Foi há muito, muito tempo. Muito mesmo. Saíam duas vozes do rádio, enchiam o quarto todo, faziam-me apertar o peito com as mãos. Lado a lado com pessoas que estavam longe, percebi que há concertos que se ouvem de olhos fechados. E que não há mal nenhum em deixar cair lágrimas. Pela noite dentro, as vozes entoavam).

Consegui hoje a gravação. Lado a Lado (Mafalda Veiga, João Pedro Pais).
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(Onde estás tu, Ana? Quem és tu? Definitivamente, não a mesma.)
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E se te deixasses de crises de identidade e te dedicasses a coisas importantes, hem?

Wednesday, June 06, 2007

(O)pressão

Não é uma questão de mudança: suponho que tenha mais a ver com uma gradual influência de factores externos, mais do que com qualquer coisa. Não parte de ninguém, não faz parte de ninguém. É exterior. Estranho, muito estranho.

A influência do meio. Até onde é importante? Até quando? Às vezes penso nisso como numa forma de ópio: enquanto droga, que serve de desculpa e de (des)engano. Enquanto fuga de nós mesmos. Enquanto ilusão irrisória de que o que sentimos é real, é definitivo e é incontestável. Verdades dogmáticas que nos circundam e prendem, traduzindo-se num cativeiro algo honesto. Somos explorados porque isso nos dá prazer, porque ansiamos sempre por mais, porque nos entregamos de livre vontade e consciência, apesar de gritarmos insultos disfarçados de emoção. Fazemos da escravatura nossa escrava. Estendemos as mãos e pedimos que as amarrem. Inclinamos a cabeça e murmuramos um “muito obrigado” sumido.

Os voos são curtos. Mas plenos. Fugazes mas reais. Efémeros. E as quedas tristes, muito tristes. Mas (por vezes) sem lágrimas.

Sunday, June 03, 2007

Baile de Gala

Há coisas que fazem parte. Do Secundário, por exemplo. E que nos fazem sentir verdadeiramente vivos.

Foi muito, muito bom. Nada de “grupinhos”. A ESO, ponto final. E nós somos todos muito giros e ficamos muito bem de fato (viva a auto-estima!).



(A Ju fez falta).

Estranhamente

A vida é a coisa mais estranha que eu já vi na vida. Carece totalmente de lógica e organização. Mesmo quando parece brilhar da limpeza geral que lhe fizemos, há sempre uma gaveta por arrumar.

Felizmente (e isto garanto eu), ser feliz é como andar de bicicleta: nunca se perde o jeito.

Friday, June 01, 2007

Criancinha

La la la.

Gosto à brava deste dia. Gosto mesmo.

"Bah, és uma criancinha!". Ah pois sou, muito obrigado!

Parabéns para mim. E para quem se sentir assim =)

Thursday, May 31, 2007

Brócolos

Os brócolos fazem bem à saúde. Se a tua vida é igual à deles, não estás nada mal!” _ Leonor.

Boa maneira de perspectivar as coisas. Quando for grande também vou ser uma pessoa optimista.

Chora

Se te apetece chorar, chora. Não vou dizer que sabe melhor do que sorrir, mas chega a saber bem.

Há coisas que pioram antes de melhorarem.

Sunday, May 27, 2007

Os nossos LOBOS

Todos temos lobos debaixo da cama ou dentro do armário. É esta a minha opinião sincera. Acontece que, depois de algum tempo de convivência, deixamos de os temer e passamos a coexistir com eles.

Dantes corríamos para a cama dos pais. Chorávamos, tapávamos a cabeça com os lençóis. Dormíamos com a luz acesa, abraçados à almofada ou a um daqueles peluches de pêlo macio.

Entretanto crescemos (e os lobos também) e fomos acumulando toda uma outra série de bichos, monstros mais ou menos assustadores com quem partilhamos as noites e os Domingos chatos. Mas estamos tão habituados a eles e eles a nós que chegamos a ter confiança para fechar a porta do armário ou espreitar para debaixo da cama e dizer: “Xiu, deixa-me dormir”.

Não que eles sejam inofensivos, claro. Continuam a ter garras e dentes afiados. E obviamente não deixaram de rugir e uivar para aprenderem a miar. Mas estão mais mansos: chegam a ronronar quando lhes passamos a mão pelo dorso.

Um novo lobo é sempre difícil de domesticar. Salta-nos em cima a meio de um sonho, dá-nos murros que se traduzem em olheiras escuras e profundas, arranca-nos os cabelos um a um (ou pinta-os de branco), faz-nos bater com a cabeça nas paredes. No fundo, acrescenta-nos um pouco mais de loucura. Mas continuamos a ser nós os seres racionais que, mais tarde ou mais cedo, ganham a luta.

É um círculo vicioso. Lobo atrás de lobo, monstro a monstro, fera a fera, construímos um caminho que nunca chegamos a perceber bem qual é. Agigantamo-nos, aumentamos, amadurecemos. O que não podemos mesmo é deixar de querer procriar lobos. Porque no dia em que isso acontecer, morremos por dentro.

Como o Pedrinho me perguntou (e que bem perguntado Pedrinho!): “quando conseguimos o que queremos, será que ainda queremos o que conseguimos?”. Claro que não. Queremos sempre mais, e ainda bem que assim é (desde que a ambição não seja desmedida). Porque no dia em que dissermos, definitivamente, “estou bem assim, não faço mais nada”, conformamo-nos. E o conformismo é, definitivamente, um veneno coercitivo.

(No entanto Pedrinho, ficamos muito felizes quando conseguimos o que queríamos. E matamos uns quantos lobos rebeldes).

Friday, May 25, 2007

Somatognosia

Volta tudo, num turbilhão de emoções. Vozes ao longe, soam alto. Dessincronizadas, é certo, mas audíveis. O burburinho atmosférico percorre-me enquanto elas brincam com o corpo e com a música em cima do palco. Encontro-me também eu em cima de um palco/ringue, sem tom nem som. Perco de completo a somatognosia e prossigo devagar, sem saber bem o que faz ou não parte de mim.
Desperto.
(Bato e oiço palmas).

Que bom que é crescer!

Fase do enterro

Em plena fase do enterro, como diz o Pedrinho.
E ainda vai durar pelo menos mais um mês...

"Estou bem, cansada e rabugenta".

Tuesday, May 22, 2007

Piolhos do Mundo

O Mundo tem piolhos. Dos grandes, que sugam o sangue até à última gota.

Apetece-me abraçá-lo (ao Mundo), acarinhá-lo, sentá-lo nos meus joelhos e, com um daqueles pentes especiais, caçar os piolhos um a um, eliminá-los a todos.

PS- E começarem a convocar-nos, não? Isso é tudo medo dos alunos?

Sunday, May 20, 2007

Amar

Amar é querer muito. Para o outro, do outro, o outro.
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Exprime-te.
Rogo-te que dances. Não é difícil: não te pedi que fosses bailarina.

(Todos filosofamos e poucos somos filósofos.)

Tuesday, May 15, 2007

Baile de Gala: o evento

Critiquem-nos à vontade. Mas sejam realistas, se não for disso, falamos de quê? Vivemos em Ourém e as nossas vidas são semelhantes à de um molho de brócolos. Capiche?

“Suicídio social”. No entanto, “antes comprá-lo que convidá-lo”.

Enfim, quando o outro não lhe corta as asas, somos felizes.

Friday, April 27, 2007

O Arco-Íris Desaparecido

(Para a rapariga dos cabelos cor-de-rosa)
“Uuuh, arco-íris! Ei, arco-íris!”
Choveu e fez sol, mas nada de arco-íris. Recusou-se a aparecer, mesmo quando chamámos por ele em cima dos bancos do jardim. Corremos pela mata, procurámos debaixo dos baloiços, revistámos os cacifos suspeitos, vasculhámos entre os vimes do lago. Nada, não estava em lado nenhum.

“Bolas, tem que haver uma razão!”
Pesquisámos em livros, perguntamos a eruditos, pedimos os pozinhos à Sininho. Nada, nem uma mera hipótese conseguimos formular.

“Pensa, pensa!”

O sol não foi suficientemente forte, só isso. Não podes esperar que há primeira nesga o arco-íris venha. Ele é o símbolo da vitória. E a terra ainda nem secou…

Wednesday, April 25, 2007

Novas Oportunidades

Tem havido muita polémica à volta dos anúncios da campanha “Novas Oportunidades”, que mostra o percurso que várias figuras públicas poderiam ter tido se não tivessem estudado. As críticas voam de todo o lado: é acusado de humilhar e menosprezar determinado tipo de empregos e de distinguir “o bom do mau” em função das qualificações académicas.

Li recente um artigo do José Diogo Quintela, com o qual não pude deixar de concordar plenamente. Obviamente que todas as pessoas são necessárias à sociedade e que todas as profissões são notáveis, quando desempenhadas com empenho e profissionalismo. É ridículo pôr isso em causa. Tal como é pacóvia a ideia de que toda a gente tem que ser doutor ou engenheiro (viu-se recentemente o provincianismo, aliás).

No entanto, eu não conheço nenhuma criança que, ao ser questionada sobre a profissão que gostaria de exercer aquando o crescimento, responda “empregada doméstica” ou “limpa-chaminés”. E tal como uma mãe não põe sequer a hipótese que um filho abandone os estudos precocemente, porque quer o melhor para ele, um país também quer o melhor para os seus cidadãos.

Pessoalmente, considero o nome da campanha muito feliz. As pessoas são livres de abandonarem os estudos após a conclusão da escolaridade obrigatória. Porém, não o devem fazer por não terem tido outra oportunidade ou por falta de informação!

“Aprender compensa”. E não é só o saber universitário.
(O certo é que o objectivo da publicidade é criar polémica e marcar. E lá isso, eles conseguiram!)

"A Morte saíu à Rua"


A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai


O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte: o Pintor morreu


Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou


Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

Zeca Afonso

O Pintor não morreu, o Pintor foi assassinado.

Arrepio-me toda com esta canção.

Hoje sinto orgulho em ser portuguesa.

Saturday, April 21, 2007

Tempo(s); pessoa(s)

Foi há um ano que ela (a dos cabelos cor-de-rosa) o conheceu. Hoje é que faz mesmo um ano. Parece que foi há mais tempo? Parece. Mas é mesmo assim, o tempo espacial e o psicológico nem sempre estão de acordo. Há coisas que parece que foram ontem e se passaram há dez anos, há outras que aconteceram ontem e, no entanto, estão gravadas na memória da mesma maneira que as recordações realmente antigas.

Tal e qual como as pessoas: marcam-nos durante diferentes períodos de tempo. Uma tarde, duas noites, meses, anos, para toda a vida. Durante a infância, a fase do liceu, a independência da década dos 20 (anos), o vizinho do lado da velhice, ou, para toda a vida.

Há outras que, para além de serem para toda a vida, marcam um ponto de viragem. Passa a haver o antes e o depois.

No entanto, e apesar de todos os dias e pessoas serem importantes, porque, no fundo, fazem parte da nossa vida e não podia haver motivo que as tornasse mais indispensáveis, há a(s) pessoa(s) que faz(em) parte de nós. Para essa(s) não há nenhum antes nem depois, não há o “para a vida”. Há sim o “durante”. Porque faz(em) parte de nós desde sempre: podemos não ter simplesmente a sorte de a(s) ter conhecido(s) fisicamente desde o principio. Mas há alguém que duvide realmente que estava(m) cá?

PS- Qual é o caso dela?
PPS- (O meu, eu sei qual é).

Thursday, April 19, 2007

Sininho

Encosta a tua mão ao meu peito e sente. Percebes? Agora encosta ao teu. Estás viva Sininho! Que queres mais? O resto depende de ti.

“Às vezes até parece que andamos fora de mão. Às vezes até parece que amamos fora de mão." Dá uma guinada forte e põe-te no sítio.

Sunday, April 15, 2007

Um ano depois (Luis Represas)

Estava para escrever “Um ano depois – a decadência!”. Mas não houve decadência nenhuma. Na prática, foi só uma continuação. Há concertos em Fátima, nós vamos. Simples.

Quanto à rapariga dos cabelos cor-de-rosa, os medos dissiparam-se (?). As pernas ainda lhe tremeram um bocadinho à entrada mas aguentou-se bem. Além disso tinha outras coisas em que pensar (por exemplo, qual a melhor maneira de criticar a amiga do outro amigo). Ou seja, eu a pensar que hoje fazia um grande post, a abarrotar de hipérboles, e ela destruiu-me o tema. Sim, porque se não for ela, isto fica curto.

Claro que há sempre coisas de que falar. Afinal, um concerto em que a média da faixa etária às 21h40 (o concerto começava às 21h30) rondava os 50 anos, tem que ter coisas para contar. Mas enfim, lá para as 22h já não nos sentíamos tanto uma ilha (começaram a chegar crianças de 5 e a média equilibrou). Posso começar por referir, só para motivar a leitura, a entrada triunfante da rapariga dos cabelos cor-de-rosa na casa de banho… dos homem!
Antes das luzes se apagarem ainda houve tempo para um punhado de parvoíces. Deu para tirar umas fotos um tanto ou quanto apatetadas (nesta parte a Sininho vai-se lembrar da tal foto e corre o risco de cair da cadeira de tanto rir) e para o simpático senhor da fila da frente nos advertir cordialmente de que caso a barulheira continuasse nos punha na rua a pontapé (estive mesmo para lhe responder “- Eu já fui expulsa de uma galeria do British Museum por um homem com o dobro do seu tamanho e uma metralhadora nos braços. Acha que me intimida??”).

O concerto em si foi muito bom. Muito bom mesmo. Boa música, boa presença, bom espectáculo. E muito boas letras, como disse a Sininho. Capazes de provocar sentimentos fortes.

Em memória ao ano passado, fila de autógrafos. Nesta parte ela estava claramente nervosa. Compreende-se. “Estou a 5 metros de ti”. Lá se foram as defesas, a miúda ia desfalecendo. Claro que não é a mesma coisa, afinal, passou-se um ano. Não estávamos “gargalhadamente bêbedas” mas a situação era incomodamente semelhante. Não nos convidaram para irmos para uma garagem, de carrinha, mas falaram numa discoteca qualquer e voltaram a dizer mal do Arte. E ela fugiu. Deixou-o lá, decepcionado, e fugiu. Serão as muralhas tão fortes como aparentam?

Enfim…
"- Podia pedir ao seu pianista para nos dar um autógrafo?"

“- Eu a dormir na aula e o Mário João a tirar os apontamentos para mim”
“- O Mário João? Pensei que era a Luz que te fazia as anotações!”

“- Aposto que ela calça o 34”
“- Sininho, calças que número”
“- O 34!”

“- Então, tu és presidente, ele é primeiro deputado, tu és suplente do Colégio. E tu, que calças o 34, és o quê?”
“- Só uma aluna”
“- Já és mais que o Gonçalo”
(Ah, claro, ainda falta a aposta! Uma tablete de chocolate das grandes!)

Thursday, April 12, 2007

Está-se tão bem...

... quando se está feliz!

"estranhamente bem".

Wednesday, April 11, 2007

Mal/bem-me-quer

Na minha primeira infância, em casa da minha avó, eram os malmequeres campestres que decidiam o desfecho das histórias de bonecas que inventava. Ia retirando as pétalas, uma a uma, numa ilusão e abstracção absurdas. Repetia baixinho a cantilena “bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer…” e, dependendo do resultado, a boneca heroína tinha ou não o destino de sonho de qualquer criança.

Parecia-me um bom método! Afinal de contas, ilibava-me de todas as responsabilidades! No entanto, um dia destes, ao arrancar, distraída, uma das tais flores, pus-me a pensar. Que flor tão pessimista! À partida, só pelo nome, malmequer, pressupõe um resultado negativo. Não é lá muito honesto, na minha opinião. De certeza que foi alguém com muito pouca sorte que deu o nome à pobre flor. Se temos 50% de probabilidade de que a última pétala seja “bem-me-quer”, porquê escolher a opção mais derrotista para nome?


Bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer,


bem-me-quer.




Sunday, April 08, 2007

Galinha da Páscoa

Ovos da Páscoa. Coelho da Páscoa?


Não tinha mais lógica uma Galinha da Páscoa?

Thursday, April 05, 2007

Toledo

Aqui, sob a sombra da fachada dos prédios, iluminados pela luz ténue dos candeeiros de rua, os sentimentos ganham forma, tonificam-se e aperfeiçoam-se. Os passeios ondulam à nossa passagem. As árvores acenam, o barulho dos carros ao longe soa a música. As pessoas passam por nós e sorriem, em sinal de concordância de emoções. Apetece abrir os braços e rodopiar, lançar a cabeça para trás e rir abertamente, de felicidade. Porque não? É o que fazemos. A cidade-museu abraça-nos, aconchega. E a cumplicidade
cresce.

Aqui, sob a sombra da fachada dos prédios, iluminados pela luz ténue dos candeeiros de rua, a vida adquire uma simplicidade infantil. E, no entanto, é o crescer que se sente. E é essa nova maturidade que nos leva a falar connosco mesmos, como numa conversa serena e franca com o melhor amigo. Voltamos a abrir os braços e a rodopiar.

A cidade de conto de fadas tem vida.

Tuesday, March 27, 2007

U. Independente

Ah pois, as privadas é que funcionam bem, têm toda a razão!

(Ironiazinha)

Monday, March 26, 2007

Breve pensamento

Aos dezasseis anos (bem como durante o resto da adolescência) não se é, na generalidade, nem pior nem melhor do que noutras idades. Não amamos nem sofremos menos, não somos nem mais nem menos responsáveis, não somos menos inteligentes por natureza, não somos menos maduros que o adulto médio.
E também não estamos mais perdidos do que o resto da sociedade.

Friday, March 16, 2007

Ex-Futuro


O ex-futuro.

Ela (a mesma rapariga dos cabelos cor-de-rosa) inventa verbos e tempos verbais. Na verdade, as nossas conversas de adolescentes deviam ser encaradas como um enriquecimento da língua portuguesa. Estes neologismos surgem, para além da constante necessidade de nos exprimirmos, da urgência diária em adaptar as palavras ao que efectivamente sentimos. Não, não é passado. Afinal, nunca foi presente.

Quantas vezes não nos acontece passarmos ao lado das coisas que estavam para acontecer, que iam acontecer e que… desaparecem, num repetente trágico. Nunca foram nada, estavam para ser. Simplesmente não tiveram tempo (ou sofreram a interferência de outro factor externo) ou acabaram antes de começar.

Foi. Não foi? Não, esteve para ser.


(A recordação boa de qualquer coisa que nunca existiu, como dizia a outra).

Thursday, March 15, 2007

Existi(ndo)



A vida não é contínua.

Existir, existimos todos os dias. Viver, não. Um bocadinho aqui, outro ali, outro acolá, no dia a seguir, depois, cinco meses seguidos, uns minutinhos…

Ora vivemos, ora vegetamos. Ora vivemos, ora vegetamos. Ora vegetamos, ora vivemos. E assim sucessivamente, pela nossa existência fora…

Ora sorrimos (com a alma), ora nos entregamos à rotina e às coisas pré-construídas e pré-concebidas. Ora somos nós, ora não somos nada nem ninguém.

Nota: Nem sempre vegetar é mau: eu, pessoalmente, prefiro pensar nisso como necessário. Para dar tempo de sonhar para o próximo pedaço de vida. Em tudo precisamos de intervalos, não é? Resta saber se intervalamos da vida ou do estado de vegetação.

Friday, March 09, 2007

Parlamento dos Jovens

Chama-se energia pura. Foi tão bom! Estas coisas são sempre boas. Pessoas novas, ambiente diferente, as coisas a acontecerem e a mudarem a todo o minuto, o coração a bombear com força. Dias intensos, a fazer coisas de que gostamos. E por muito que depois as queiramos traduzir por palavras, torna-se difícil. Gostaríamos que ficasse gravado, para sempre, para que pudéssemos ver e rever. E mostrar aos outros.

E depois, as saudades apertam. Mas fica cá dentro aquela força, aquela adrenalina, o nervoso bom. Ficam as pessoas. E fica a certeza de que voltaremos para o ano.

Tuesday, March 06, 2007

Criança (?) encantadora

Hoje tive a oportunidade de ouvir uma encantadora garota de 7 anos a falar dos seus problemas sentimentais.
A garota que, para além de encantadora é também inteligentíssima, dividiu-os em duas vertentes para me facilitar a compreensão.
Começou por aqueles que mais a atormentavam, os da amizade. Tinha-se chateado com a melhor amiga, aquela que sentia conhecer desde os primórdios da infância(?), por um motivo tolo. Não tinham chegado a consenso sobre um assunto qualquer. Mas o problema não foi esse, obviamente. Nem sempre chegamos a acordo com os outros, é preciso encarar isso com naturalidade. A dificuldade foi não terem aceite ouvirem-se uma à outra. Agarram-se àquilo em que acreditavam e não quiseram saber de mais nada. E agora, a minha pequena, arrependida, perguntava-se a si mesma por que razão será tão difícil dar o braço a torcer e pedir desculpa. Mas lá chegou à conclusão que o mais importante é sem duvida a amizade e garantiu-me que amanhã já vai falar com a amiga e resolver tudo. Afinal, a falar é que as pessoas se entendem, certo?

Havia ainda outra coisa que a atormentava… O rapaz a quem entregara a infância (a quem se entregara, por olhares, por sorrisos tímidos, nos dedos que entrelaçaram um dia, no rosto que teima em corar quando o vê, na inocência pura dos seus sete anos, tão bem vividos), já não parece o mesmo. Está estranho, já não lhe liga. Ela desconfia até que se interessou por outra menina da turma, que tem caracóis no cabelo. E a minha menina não quer outro rapaz: é daquele que ela gosta.
Perguntei-lhe: “quando gostavas dele e ele de ti, deixavas os amigos de parte, vivias para ele, o teu Mundo resumia-se à vossa relação?”. Atrapalhada, confusa com as minhas palavras de adolescente armada em esperta, respondeu qualquer coisa como “não, o meu Mundo começava aí”.

E eu calei-me. Que mais podia fazer, perante uma resposta destas? Sustive a emoção, apercebi-me que estou de facto a envelhecer. E passei o resto do dia mergulhada nos meus pensamentos. Será que a encantadora criança tem noção que as relações interpessoais não evoluem nada com o passar do tempo? Talvez não. Eu não tinha, mas era menos esperta do que ela. Sempre pensei que os adultos fossem mais…adultos! Mais maduros nas escolhas, no modo como lidam uns com os outros. Agora, à medida que me aproximo dessa desengraçada fase da vida, vou-me apercebendo que eles são bem piores do que a minha pequena. Se há coisa em que regredimos ao longo da vida é nisso.

Deixamos de ter adultos superiores a nós que nos mandem calar e pedir desculpas e, pura e simplesmente, deixamos de o fazer ou reduzimos o diálogo e a compreensão a certas e determinadas situações. Desenvolvemos a arrogância e a teimosia e vivemos com estas características como se fizessem parte de nós.
Mas como é politicamente correcto, os adultos passam a gritar em casa, entre paredes, escondidos do Mundo. As mulheres deixam o marido ou o namorado e sofrem desalmadamente, como se metade da alma lhes tivesse sido arrancada. Ou são deixadas, e ficam sem a alma toda. Lutam por bens que julgam seus por direito, como se essas coisas, coitadas, absolutamente desprovidas de valor, completassem o bocado interior que lhes falta.
E apoiam-se então nos amigos. Umas, apoiam-se efectivamente nos amigOs. Outras, mais pudicas talvez, buscam o ombro e os lenços das amigas e vestem-se de preto. Depois zangam-se, por um qualquer motivo absurdo (o egocentrismo da primeira, provavelmente, que só pensa na sua tragédia pessoal) e nunca mais se falam.

A minha teoria é que à medida que vamos crescendo vamos libertando a criança imatura e desconexa que há em nós. Se há pessoas a quem assusta a velhice, a mim assusta-me primordialmente a idade adulta.

Monday, February 19, 2007

Ilhas Britânicas

Eles lá, eu cá.

Eles rodeados por água e eu no país que está a um passo de se afundar.

(3 dias para voltar a estar com eles).

Thursday, February 15, 2007

Dissertação

Será impossível uma relação de amizade sobrepor-se (sem interferir) numa de hierarquia?
Não, não pode ser impossível. Até porque se fosse, as nossas amizades seriam deveras restritas.
Em praticamente todos os aspectos, todos temos várias conexões de hierarquia com os outros. Ainda sem entrar no campo profissional, posso referir, apenas a título de exemplo, o grau de simpatia, o de inteligência, o de beleza, o de arrogância, etc. O facto de sermos todos diferentes é isso mesmo: sermos melhores numas coisas, piores noutras e absolutamente neutros em alguns aspectos. E o que é isso se não relações de hierarquia?

Agora sim, enveredando pela área profissional, exemplifiquemos com base na ligação professor-aluno e vice-versa (até porque é a única de que eu posso falar com base na experiência). Será possível um professor ser realmente amigo de um aluno (confiar, falar, ouvir, apoiar), desafiando todas as leis da diferença de idades, do burburinho coscuvilheiro dos outros, entre inúmeros outros obstáculos que se nos apresentam à vista sem o menor esforço de raciocínio, não permitindo que essa amizade intervenha nas aulas e nas notas do aprendiz? E o contrário (aluno-professor), é praticável?

Obviamente que sim. Tudo isto é possível e deve ser estimulado. Tanto o interesse dos alunos pela escola como a motivação do professor pelo ensino advêm exactamente destas relações, bem como pelas de alunos-alunos e professores-professores. Em quase tudo na nossa vida (atrever-me-ia até a omitir o “quase”) somos movidos pelo carácter humano e social das coisas. E ainda bem que assim é.

Em suma, e pelo exposto, talvez fosse até por aqui que se devessem tomar as decisões políticas relativas ao ensino. Acabando com preconceitos e pré-conceitos formulados, devia-a apostar-se nas relações interpessoais para reinar. Dividindo, com base em hierarquias demasiado naturais para terem valor além disso e tentando criar hierarquias fortes e tolas, não vamos a lado nenhum.

Informação de Exames II

Enfim, Correio da Manhã= a alterações de informação. Estava mesmo a prever.
Aqui ficam as datas dos exames da minha área (confirmadas pelo Ministério da Educação) e mais alguma preciosa informação.

Inscrições para os exames:
· 1º fase: Prazo normal: 26 de Fevereiro a 9 de Março
Prazo suplementar: 12 e 13 de Março
· 2º fase: Prazo único: 6 a 10 de Junho

Os exames realizam-se entre:
· 1º fase: 18 a 26 de Junho
· 2º fase: 12 a 17 de Julho

Exames da 1º fase:
Filosofia, 18 de Junho, 15h00
Matemática Aplicada às Ciências Sociais, 21 de Junho, 11h30
Geografia A, 25 de Junho, 09h00

Exames da 2º fase:
Filosofia, 12 de Julho, 11h30
Geografia A, 12 de Julho, 17h30
Matemática Aplicada às Ciências Sociais, 13 de Julho, 11h30

Afixação de Pautas
· 1º fase: 6 de Julho
· 2º fase: 27 de Julho

Afixação do Resultado das Reapreciações:
· 1º fase: 10 de Agosto
· 2º fase: 31 de Agosto

(Repararam na mudança estética do blog? Que tal?)

Thursday, February 08, 2007

Dia 11, Referendo sobre a IVG: VOTE SIM

Jovens Pelo SIM


A consciência é de cada um. A saúde é um direito de TODOS. A cada 6 minutos, morre no Mundo uma mulher vítima de aborto clandestino. VOTA SIM

Quero reiterar uma vez mais que a pergunta do referendo é "DESPENALIZAÇÃO, sim ou não?" e não "aborto, sim ou não?".

Justiça social.

(Seja qual for a tua opinião, vai votar. Exerce o teu dever/direito. Nem que o teu voto seja em branco: VOTA!)

Informação de Exames


Instituto
PET: 09/06
FCE: 16/06

Escola
Filosofia, 1º fase: 18/06 *
Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), 1º fase: 19/06*
Geografia A, 1º fase: 25/06*
* Segundo o Correio da Manhã (ou seja, datas com MUITO pouca veracidade, muito susceptíveis a alterações)

Provas Modelo e Informção de Exame no Site do GAVE: http://www.gave.pt/informacoes_exame_2007.htm
Provas de Exame do ano passado, 1º fase: http://www.gave.pt/pe2006fase1.htm
Provas de Exame do ano passado, 2º fase: http://www.gave.pt/pe2006fase2.htm

Thursday, January 25, 2007

A pequena história do Palhaço Triste


O palhaço triste deambula pelas ruas. Ri por fora, chora por dentro. Arrasta os pés, pressiona a mão contra o peito. A vida fez dele um “engraçado falso”, que passou pelas várias fases inerentes a este estado de espírito. A ingenuidade, a ordinarice (e não como sinónimo de comum) e, agora, a triste. As lágrimas verdadeiras encontram-se com a que tem pintada na face e o palhaço esfrega a cara, transformando-a num grande borrão. Despenteia os cabelos num acesso de raiva.

“Olha o mostro!”, exclama a criançada.

Já mais calmo, pega no lenço de pano de assoar o nariz e limpa o rosto, concerta os suspensórios, conta as rugas e pinta um sorriso de verdade no coração.

De palhaço triste a monstro e de monstro a menino.

Wednesday, January 24, 2007

Ironia

ironia
substantivo feminino

· GRAMÁTICA
figura de estilo que veicula um significado contrário daquele que deriva da interpretação literal do enunciado;

· zombaria;

(Do gr. eironeía, «interrogação», pelo lat. ironía-, «ironia»)

© 2002 Porto Editora, Lda.

ironia, ironicamente, irónico, ironista, ironizar...

Monday, January 08, 2007

Perseguição

Salta o muro. Baixa-se, esconde a cabeça. Vira a esquina e corre pela rua, em direcção ao suspeito. Vira a cara, usa um jornal para não ser reconhecida. Abranda o passo. Pára, encosta-se a uma parede, controla a respiração.
“ – Correcto, mantenho o contacto visual”.
“ – Parece-te perigoso?”
“ – Muito cedo para tal afirmação. Mas penso que não será tanto como o outro”.
Controla o tempo, salta por cima dos prédios, “galga” as escadas.
“– Preciso de uma bicicleta, rápido, o sujeito está a entrar num carro!”

Too late. É mais fácil apanhar o hippie, sem dúvida.

Monday, January 01, 2007

Europa a 27!

Roménia e Bulgária: Bem vindos!

Sinto-me uma cidadã europeia!

Pena de morte

A pena de morte viola o mais básico dos direitos humanos: a vida. Se é certo que todos viveríamos bem melhor sem a existência de alguns criminosos, o facto é que, descendo ao nível deles não melhoramos nada. Se queremos provar que somos diferentes, façamos então as coisas de maneira diferente. Matando-os estamos a ser tão criminosos como eles.
Um dos argumentos a favor da pena de morte é o facto de a sociedade ter que manter estes criminosos. Bem, vivemos em sociedade, certo? Mantê-la tem custos. Obviamente uma democracia é muito mais cara que uma ditadura (uma vez que a ditadura tem a ver com o bem estar de apenas uma figura). Temos é que pensar que há coisas que o dinheiro não paga.
A pena de morte é um recuo à Idade Média. Há criminosos que mereciam o pior dos castigos, de facto. E por isso mesmo, sou a favor da prisão perpétua. Porque há casos em que a lei das segundas oportunidades não se aplica.

Saddam Hussein foi um criminoso igualável aos maiores da História. E a sua execução foi um crime.

Publicar as imagens foi uma provocação e um incentivo ao Mundo instável em que vivemos.

PS- Afinal, onde andam os bons, os heróis desta história?

Sunday, December 31, 2006

' LIFE

A vida é uma obra de arte. Palavras, traços, uma escultura, notas musicais, um passo de dança… Depende do artista, claro. E como em toda a arte, há ritmo, textura, movimento, ondulações, som, cor, imagem, mais ou menos harmonia, impacto, respiração, momentos mortos e de silêncio, espaço vazio, solidão, raiva, lágrimas, suor, saliva, ódio, paixão, encanto, sedução, martírio, desespero, gargalhadas, buracos negros, risos desencontrados, palmas, desencantos, aplausos, mimos, feitiços, emoção, nojo, sexo, magia, prazer, amor, (in)felicidades,… Vida. Toda a obra de arte como sinónimo de entrega. E alguns momentos de viragem. Correrias em pés descalços. Sonhos. Recordações de passado e futuro. Imundice. Demónios. Mantas. Jornais. Lanternas. Mato. ANIMAIS. Pessoas. Crianças, velhos, jovens, adultos, cotas, malta, idosos, miúdos.

A vida é complexa. Apesar de por vezes a complicarmos ainda mais, a minha opinião é que ela não é, de todo, simples. Não há nível de principiante.

A passagem de ano, por si só, não muda nada. É um dia tão especial como todos os outros. Mas pode, talvez, servir de pretexto. De rampa de lançamento. Ou de paraquedas. Colchão. Parapeito de janela. Corrimão. Ou balanço.

E corremos. Correremos sempre?

Thursday, December 21, 2006

Ano Novo

Para 2007 quero:
· Mais Galé
· Mais Parlamento dos Jovens
· Muitos dias em pijama
· Muitas viagens de comboio (e musicais, e compras, …!)
· Muitas noites de mensagens nos baloiços (mas sem cair!)
· Muitos After Eight
· Muitas tardes no Alfa
· Um curso de Inglês em Londres
· Um Campo de Férias no Alentejo nas Férias da Páscoa
· Viagens (a qualquer parte do Mundo)
· Boas notas (muito boas, de preferência)
· Muitos risos, gargalhadas, abraços, lágrimas, emoções fortes, mimos, reencontros com pessoas que já não vejo há muito tempo, reencontros com pessoas que estão mesmo ao meu lado, noites de saco de cama dentro de quatro paredes, treinos, festivais com carradas de gel e laca, carrinhas que há meia-noite não arrancam, banhos no mar em Fevereiro, pés com areia a serem lavados no WC do restaurante, praia, inspiração para os textos do blog, comments, jogos do Amigo Secreto, concertos (sem efeitos secundários), Tobias e Bernardos (o meu urso de peluche e o puto de 3 anos que não quer nada comigo), visitas de estudo, chá, intervalos do instituto ao Sábado de manhã, croissants de chocolate aquecidos, e todas, mas mesmo TODAS as surpresas que a vida tiver para mim =)

e quero, principalmente, ser tão feliz como fui este ano.

Sejam também felizes!

Wednesday, December 20, 2006

Ensaio sobre o Natal

Esta é para mim uma das épocas mais confusas do ano. Sou constantemente assaltada por sentimentos contraditórios que não me deixam formar uma opinião firme em relação a esta quadra.

Antes de tudo o mais, detesto-a. Abomino o Natal e todo o espírito hipócrita e consumista que o rodeia. Os programas ao estilo do “Natal dos Hospitais”, cujo único objectivo é o primeiro lugar no ranking dos mais vistos, as campanhas de solidariedade que só se fazem nesta época, como se no resto do ano não houvesse necessidade (e espero ter sido explicita, obviamente não me estou a referir aquelas que durante todo o ano desempenham um papel social notável), as autarquias e os seus jantares para pessoas idosas que passam a consoada sozinhas (como se o resto das suas noites não fossem preenchidas por uma terrível solidão), entre tantos outros exemplos que andam por aí, de cabeça erguida. Para além disto, os centros comerciais cheios, atafulhados de embrulhos e de gente parva (grupo no qual eu me incluo). O frio que nos gela os ossos e nos prende os movimentos mas de que toda a gente gosta porque “Natal sem frio nem era Natal”. O presépio, que a mim me tira do sério! Oh figurinhas sem utilidade que se tiram do caixote durante 15 dias!

Por outro lado, é impossível não gostar deste período em que temos pelo menos a ilusão de que o Mundo está menos mau. É certo que a maioria das coisas boas que se vêem por aí são nojentamente untuosas mas, já que ninguém se lembra das fazer noutras alturas, ao menos uma vez por ano. Melhor uma que nenhuma, certo? Além do mais, ter a família toda reunida à mesa, a nostalgia dos Natais passados, das pessoas de quem sentimos falta, mas que parecem estranhamente mais próximas, o amassar as filhoses à mão, as conversas que se têm, banais e boas, a excitação do papel colorido que envolve os presentes,… A alegria de se escolher prendas para os outros, as luzes de rua que até escondem as fachadas mal pintadas das casas, as mensagens carinhosas que recebemos, etc.

Não é por ser o nascimento de quem quer que seja, não é pela religião. É, talvez, pela tradição, tão forte como qualquer outra. Se as mentalidades e o panorama social são factores históricos estruturais, as tradições têm certamente um peso muito considerável.

Monday, December 11, 2006

Perfeição

Não é o facto de haver coisas perfeitas que me faz impressão. O que me incomoda é a pequenez das falhas que não nos deixam apelidar as coisas de perfeitas.

É esta mania da perfeição.

perfeito

adjectivo
que não tem defeito físico nem moral; completo; modelar; exemplar; belo; formoso; impecável; total; acabado; cabal; magistral.

(Do lat. perfectu-, «id.»)
© 2002 Porto Editora, Lda.

After eight… é só isso que nos falta.

Sunday, November 26, 2006

Chocolate


Eis que o seu poder me começa a possuir. Mergulho nele. Sinto todas as sensações a flutuarem, num mar castanho, cuja água, ao invés de me suprimir, me liberta.
Percorre o meu corpo, em frenesim. Entro em transe. Os olhos reviram-se e a saliva explode na minha boca como se de um demónio se tratasse. Viajo, sonho, encanto-me. Torno-me personagem principal duma roda de atracções e rebelião.
Ergo-me estátuas. Derreto-me em lume brando.
Vicio-me.

Sunday, November 19, 2006

Free Hugs

Free Hugs Campaign. Inspiring Story! (music by sick puppies)


Aqui está um vídeo que prova que se todos nos esforçarmos um bocadinho, o Mundo será NOSSO e não do cão.
Esta "campanha" começou com um só homem. Espalhou-se pelo Mundo inteiro (Espanha, Austrália, Nova Zelândia...). Há filmes com pessoas a abraçarem-se de todo o Mundo! Pessoas que não se conhecem a manifestarem carinho! Uma banda (sick puppies) fez este filme que passado pouco tempo já tinha sido visto por milhões de pessoas na Internet.

Free Hugs fez milhões de pessoas sorrir! Será que é possível ver este filme sem sorrir também e ter imensa vontade de abraçar alguém?

(Bestial, aprendi a pôr vídeos no blog!)

Thursday, November 16, 2006

A TUA vida

Saltando os pormenores do engate, casas-te.

Ao 1º filho ainda o amas. Ao assaltam-te as dúvidas. Aos 35 anos começas a perguntar-te com seria a tua vida se aos 17 tivesses tido mais “liberdade”. Ao 3º filho tentas, só para tirar as dúvidas, ligar ao outro, só para ver se ainda tem o mesmo número. Aos 40 pões um detective particular à procura dele enquanto cuidas dos génios. Ao 4º filho começas a escrever um diário e olhas-te todos os dias ao espelho na esperança de encontrar alguma borbulha ou ponto negro que se esqueceu de aparecer na adolescência. Aos 50 anos vestes a mini-saia da tua filha do meio (ou tentas) e pintas o cabelo de cor-de-rosa. Já para não falar do piercing que fazes no umbigo. Aos primeiros sintomas da menopausa largas tudo e partes à sua procura.

Por tudo isto, acho que devias sair com ele e só depois casares-te com outro.

Wednesday, November 15, 2006

Invernozinho


O Inverno começa a soprar os primeiros ventos frios. Devagar, devagarinho. Nevoeiro de manhã, uns pingos de geada que se vão formando ainda sobre o sol gelado do Verão de São Martinho. O casaco que vestimos sem dar por isso. O chapéu de chuva que agarramos no momento exacto em que saímos de casa.
Guardei um pouco de Verão dentro de uma caixinha às riscas. Uns grãos de areia, duas ou três conchas, uma brisa marítima suave, um top de alças e uns raios de sol.
Quando o Inverno estiver insuportável, abro a caixa, rebolo na areia, enfeito-me com as conchas, respiro a brisa (a custo, pelo nariz entupido), visto o top e bronzeio-me com os raios de sol.

O principal, no entanto, é o que guardo cá dentro. Este calor (dos risos que se choram, dos abraços, das alegrias puras) não deixará que o Inverno interior se apodere de recordações e sonhos vividos. E isso é que importa!

Tuesday, November 07, 2006

LADOS

Sorrisos iguais aos de ontem, risos iguais aos de amanhã. Lágrima ao canto do olho (ora de rebeldia, ora de ingenuidade profunda). Corpos que dançam e balançam.
Para cá, para lá.

Para cá, para lá.

Para cá, para lá.
Sonhos soltos, largados ao vento que os transporta.

De um lado, para o outro.

De um lado, para o outro.
Mais leves que folhas. E a existência humana, cada vez mais fragmentada, menos contínua.

ELE e a Carta

A concretização de um dos meus sonhos de “infância” dependia da maneira como um ministrasse ontem a minha hora de almoço.
As coisas começaram por não correr lá muito bem. Um atraso de 10 preciosos minutos no balneário de Educação Física, o maldito do telemóvel da Professora que deve ter ficado sem bateria (raio, estas engenhocas modernas que nunca funcionam quando são necessárias) e os hodiernos computadores da biblioteca todos ocupados.
Lá conseguimos que uma irmã de um amigo de uma amiga nossa, nos cedesse o lugar (nestas coisas, o que interessa são os contactos e conhecidos que se têm… ou fazem!). A carta lá saiu, mal ou bem, e imprimiu-se o primeiro rascunho.
O relógio do corredor dava as 14h30 certinhas! Ou seja, em vez de estar no corredor, eu devia era estar no outro pavilhão, à porta da sala, a mentalizar-me que vinha aí a nota do teste de História. Mas não, estava no corredor. E em vez de começar a correr, saltando obstáculos e abreviando caminho pelas escadas dos professores em direcção à B15, dirigi-me pacientemente para uma das (se não mesmo a) sala mais temida da escola.

Estava tudo a compor-se! Só faltava a aprovação final quando, de repente, surgiu o “_ O que é isso? Posso ver?”.
O meu coração caiu aos pés! Virámo-nos e dissemos “sim, sim, claro”. Daquelas situações em que a hierarquia de estatutos não deixa dizer que não.
Mas, afinal, não havia motivos para preocupações. Suspirámos, ambos. E após o suspiro, pedi licença para sair, a aula de História não podia esperar mais. O que me custou, deixá-Lo lá, sozinho, “entregue aos lobos”.
Agora, o meu sonho de infância dependia Dele, e só Dele. Recebi o teste, com o coração já nas mãos (afinal, confio nele, havia esperança suficiente para tirar o coração do chão) e esperei. Rezei (a Ele, que era o meu deus do momento, não aos deuses dos outros).

Eis que Ele entra pela sala com a carta nas mãos! “_ Assina aqui, é só o que falta”.

Sem palavras, a partir daqui.

PS- Já só falta o resto =)

Saturday, October 14, 2006

Eu e tu: Nós

Imagine, caro leitor, que ia descontraidamente pela rua, a pé, a caminho do emprego. Saiu de casa um pouco antes da hora, pelo que escusa de ter pressa. Cruza-se, naturalmente, com várias outras pessoas na mesma situação. Mal olha para elas: é a rotina, é o seu caminho diário, percorrido num passo marcado, olhando para o relógio de 5 em 5 minutos (gesto quase automático na nossa sociedade, mesmo aquando do uso da palavra “descontraidamente”), ou falando ao telemóvel com a mulher/marido com quem esteve nem há 10 minutos (que é, aliás, a média do tempo que passam juntos durante o dia), combinando quem é que vais buscar os filhos à escola.
Imagine, que fazia metade do caminho atrás de duas jovens de 16 anos, ambas aparentemente normais. Estranhava? Claro que não, provavelmente nem interiorizava o facto. Podia até tentar uma ultrapassagem ou acusar alguma expressão verbal desta juventude que todos dizem perdida. Mas não se perguntaria sobre a vida delas, se gostam ou não de estudar, se são felizes, se têm namorado e por aí adiante. A verdade é que nem ponderaria acerca da vida que aquelas duas jovens, para quem mal olhou, têm por detrás daquelas risadas que dão no meio da rua, daquela roupa com cores exuberantes que se usa agora, daquelas unhas pintadas de prateado, daquela mochila que se adivinha carregada de cadernos e livros da escola.

Imagine agora que ao seu lado caminhava alguém conhecido que comentava alguma coisa acerca das raparigas. “São filhas de fulano tal, diz-se que fazem tal tipo de coisas...” Bastaria isto para a sua mente formar uma opinião. Já não são duas simples raparigas que vão à sua frente no passeio. Afinal, “são filhas de fulano tal e diz-se que fazem tal tipo de coisas”.

Imagine, caro leitor, que em vez disto, tinha visto estas mesmas raparigas, por acaso, a brincar com bolhinhas de sabão no meio do jardim. Uma fazia-as, com um aqueles tubinhos que têm uma argolinha de plástico para onde se sopra e a outra corria atrás delas, rebentando-as com visível prazer. Uma situação de simples prolongamento da infância. Das duas uma: ou o leitor é uma pessoa agradável e de espírito aberto (e neste caso pensaria apenas “que bom que é ver pessoas felizes”) ou então, e peço desde já desculpas, é um retrógrado que acha que só as crianças pequenas é que têm direito a brincar (“Não terão nada para estudar? Esta juventude está cada vez mais atrasada… Cambada de gente maluca!”).

Imagine, desta vez, que as via a pedir um horário, claramente de um rapaz, a uma funcionária da escola.
“ _ Senhora Funcionária, tem que nos fazer um imenso favor… Acha que podíamos ver o horário da turma X?”
Ou então, em cima de uns baloiços, com uns binóculos, a observar esse ou outro rapaz. Ou a discutir qual seria a melhor forma de o abordar (“_ Deixo cair os livros ao pé dele? Pergunto-lhe as horas? Peço-lhe dinheiro?”). Ou a subir as escadas do pavilhão da escola, numa correria digna de medalha olímpica, para não o perder de vista.
O que pensaria nestas situações? Provavelmente qualquer coisa dentro do género “no meu tempo não era nada disto”, num tom que pode ir da melancolia à censura.

Imagine, só para acabar, que as via a discutir uma proposta de lei, a apresentar no Parlamento dos Jovens (Jogo da Cidadania). Meninas interessadas por política. A falar com um certo brio, convicção, entusiasmo. E agora? Ia gostar, não? Ainda há alguns jovens que se safam, que percebem alguma coisa do mundo que os envolve.

Imagine que eu chegava aqui e dizia simplesmente: “Há duas jovens de 16 anos que têm apenas um tema de conversa (tirando os outros todos), caem a andar de baloiço e são um bocadinho estranhas demais para o conceito de normal. Mas são felizes, no geral, passam uns bons bocados juntas e riem que se fartam”.
E agora, diga-me você, caro leitor, que ideia tem destas jovens?

Tuesday, October 10, 2006

8.30 da manhã

Primeira hora da manhã. Uma soneira incontrolável. Cheguei à aula, atirei a mala para o chão com um encolher de ombros completamente conformista, sentei-me sem tirar o casaco e saquei do dossier, só para não perder aquele ar de aluna aplicada com vontade de aprender.
Deitei metade do corpo em cima da secretária (o corpo todo, que era aquilo que dava vontade, também era capaz de ser um bocado demais), pus a mão à frente da boca a disfarçar um bocejo, apoiei o cotovelo na mesa e a cabeça na mão e preparei-me para deixar o espírito vaguear, centrando-se em tudo menos na aula (não convém é dizer o nome da disciplina), desculpando-me mentalmente com o típico slogan “tenho tarde livre, depois revejo isto tudo em casa e amanhã estou pró na matéria”. E comecei a tal actividade acima referida, acenando de tempos a tempos com a cabeça, para dar a tal ideia da aluna aplicada, intercalando os acenos com um “sim, sim… tem razão” e um sorriso triste ou divertido, consoante a expressão do/a professor(a).
Estava eu a meio do processo, quando sem me aperceber começou uma guerra acesa na minha cabeça. Entre o meu lado bom (sim, porque eu também tenho algures um lado bom) e o mau. Alegoricamente, o meu Anjinho e o Diabinho. Com o Diabo do lado direito, é bom deixar claro.Seguiu-se um diálogo francamente anómalo:
“Francamente Ana! É uma oportunidade fabulosa, esta de aprender, e sabes bem que há milhões de meninos no Mundo que davam tudo para a ter. Não tens vergonha?” _ Anjo
“Não tenhas! És adolescente, está na tua natureza sonhar acordada. Além disso, estudas em casa e tiras as dúvidas na próxima aula, qual é o problema afinal? Não é crime ter sono, que eu saiba…” _ Diabo
Sorriso reprovador do Anjo: “Esforça-te lá um pouco! Os teus pais e professores acreditam em ti e estão a fazer tudo ao seu alcance para que sejas bem sucedida. É importante estar com atenção, sabes que em casa não aprendes tão bem…”
Gargalhada irónica do Diabo: “ Que drama tão grande, é só uma aula, não vais reprovar o ano por isso! Sonha lá um bocadinho rapariga… Não deixes que ele (o Anjo) te deixe levar a vida tão a sério. Tens tanta coisa para imaginar…”
Os argumentos caíam como que em catarata. De tempos a tempos o Anjo ajeitava a auréola, como se esta fosse um aparelho de comunicação e a frequência estivesse baixa, lançava-me um sorriso de censura, puro e sem pecado original à vista e ajeitava as asinhas, tão brancas que só mesmo com Neoblanc… O Diabo, sacana por natureza, com a típica forquinha afiada que lançava raios vermelhos ao Anjo (que ia voando de um lado para o outro, para escapar, em vez de investir também), sorria para mim como que a dizer “Ah marota!” e a abanava a cabeça em jeito de aprovação. E eu sentia-me perdida entre os dois. Limitava-me a ouvir, a olhar de um lado para o outro e a concordar com um até ouvir o outro e mudar de opinião.
Estive assim, entre lá e cá, entre o Céu e o Inferno, até ouvir o professor(a) dizer: “Bem, está na hora. Podem arrumar e sair. Não se esqueçam de rever a matéria em casa”.
.
A verdade é que me senti frustrada. Por causa daqueles dois imbecis, em 90 minutos não fiz absolutamente nada. Nem sonhei em condições (aqueles sonhos que uma adolescente deve ter, estes absurdos não contam) nem ouvi a matéria.

Thursday, October 05, 2006

Operação Deletar

Tinha o dedo encostado à maldita tecla. Ela, não eu. E encontrava-se naquele impasse terrível do “carrego ou não?”.

Carregou e aquilo “foi tudo pelos ares”. Sumiu, deu de frosques. O que uma simples tecla pode fazer! Com um simples dedinho tinha-se livrado de tudo. TUDO!

Operação deletar concluída com sucesso!

Eu deleto
Tu deletas
Ele deleta
Nós deletamos
Vós deletais
Eles deletam

Novo verbo. Uma questão de neologismos, a língua não está parada nem morta.

Mas depois, quase logo, lembrou-se que ainda estava tudo na reciclagem!

Tuesday, October 03, 2006

Sequência de vida

“Se não me largares agora, chego a casa tarde e não tenho tempo de estudar História, tiro má nota no teste, não entro na Universidade e quando der por mim estou na caixa do Intermarché a comer chocolate, fico gorda e deprimida, não faço bem o meu trabalho e sou despedida”.

:S
PS- Confessem, esta sequência já é quase uma lenda (ia para dizer mito mas depois apercebi-me do fundo de verdade disto tudo…)

Mas vocês só querem aquilo que não podem ter?

Quando se pensam nos amigos, pensam-se nos bons momentos que se passam com eles. Foi isso que aconteceu agora. Em vez de estar concentrada no Antigo Regime e nas monarquias absolutistas, deu-me para dissertar sobre uma coisa que me disseram há uns tempos, quando estava a falar com umas amigas sobre um actor conhecido (aquelas conversas parvas e boas que se têm na adolescência e deixam os rapazes do grupo sem saber sobre o que falar): “mas vocês só querem aquilo que não podem ter?”.
Bem, somos assim, não é? Não queremos só o que não podemos ter, mas chegamos a querer muito aquilo que está, realisticamente, fora do nosso alcance. É por isso que criamos ídolos, que sonhamos desmedidamente, que fantasiamos sobre coisas que nunca contaremos a ninguém. Não são objectivos: nem sequer ambições. E também não é realmente aquilo que queremos. Mas sabe bem imaginar uma vida que não é a nossa: afinal, quem não gostava de viver várias vezes? Não podendo, ao menos vivemos “outras vidas” nas asas da imaginação…

PS- Mas sim Catarina, casava-me com o homem! =)

Saturday, September 23, 2006

Parar é morrer...

Não tenho postado porque não tenho, infelizmente, assunto.

Podia escrever sobre o Mundo, mas ultimamente ele parece-me um lugar tão longínquo que não tenho forças para isso. Continuo a preocupar-me, a ler o jornal e a ver as notícias na TV mas são só relatos do pior que há no ser humano e portanto pouco há a dizer sobre isso: quem quiser, informe-se. É quase sempre a mesma coisa, só muda o cenário, as personagens e a forma de violência.

Para escrever sobre mim também não vale a pena. Não tenho nada de interessante para contar e estou a aprender a lidar com o problema de excesso de tempo, com o qual nunca me tinha deparado. Já só tenho duas noites ocupadas por semana e duas actividades extra-curriculares. Duas aulas de Instituto e um treino de Patinagem. Dantes queixava-me do excesso de trabalho, agora acho que isso é exactamente o que uma rapariga de 16 anos precisa (dentro de certos limites, obviamente). Como diz a minha amiga Rosa dos Ventos, “só damos valor aquilo que não possuímos”.
Quando andamos atarefados, com stress (que contrariamente ao que seria de esperar é uma coisa que eu adoro), sob pressão, os dias acabam por esticar. As coisas têm que ser feitas e portanto não têm outro remédio senão saírem à primeira e saírem bem. Quando temos muito tempo, deixamos andar, acabamos por adiar e nunca nada sai tão perfeito. Sem tempo não podemos ceder a pequenas depressões, não nos tornarmos tão egocêntricos, não pensamos tanto no que não devíamos. Não vemos programas estúpidos de TV, não ficamos viciados em Internet ou noutra coisa qualquer e damos muito mais valor ao tempo que temos para nós e para os outros.

Tenho mais dificuldades de concentração, mais dificuldades na organização do horário, o corpo ressente-se e custa mais a adormecer. Excesso de energia acumulada, já ouviram falar?

A verdade é que parar é morrer. Aos poucos, mas morrer. Quando menos actividades temos, menos interessantes somos, menos pessoas conhecemos, menos aproveitamos os dias, … and so on.

Sunday, September 10, 2006

Passado um ano

Como é que conseguimos conter tanta força numa existência tão frágil?

Porquê a morte algo tão doloroso? Aos 16 anos, encaro-a como o saber de antemão que vou sentir muitas saudades.

Guardo-te aqui dentro (e aqui estás bem).

Thursday, September 07, 2006

Um bocadinho só comigo

Deixo-me estar assim, sentada na janela do meu quarto, até a luz da noite me envolver completamente. E experimento uma paz interior única. Oiço o mundo lá ao longe e a natureza aqui muito perto… Sinto frio nas pernas, até deixar mesmo de as sentir, e calor no peito, bem junto ao coração. Sinto lágrimas a rolarem pelas faces e um sorriso no rosto.

Passa um carro, na rua de trás, e a magia quebra-se por instantes.

Volta tudo ao mesmo. O mesmo silêncio de fundo do qual faz parte o som suave do vento e das árvores, o uivar dos cães ao longe, os sinos da Igreja (pergunto-me de qual Igreja serão estes sinos que acabaram de tocar),... E a mesma paz.

Banhos de Lua

A lua esteve, esta noite, mesmo em frente à minha janela… E eu, em vez de voar até ela, limitei-me a observar a sua beleza cá de baixo.

« »

Parte de uma carta que a Catarina me mandou há muito, muito tempo. Aliás, parte do envelope. Mas ela também transcreveu de outro lado qualquer…

«Once upon a time, in a school of far far away, a little girl received a letter without name... But there was a secret... The letter contained a spell... And the girl cound't be love by anyone till the day she got a kiss from the Prince Charming, who was supposed to be, her real love for all the rest of time. That day never came and the girl live sad and unhappy, not like in all other stories where they live "happily after ever"

Wednesday, September 06, 2006

Apenas algumas palavrinhas

A inspiração falta. Os temas escasseiam.
E eis que, num repente, voa uma frase solta que sai cá de dentro directamente para o papel. Mal passa pelo braço: escreve-se a si mesma, impõe-se. Martela-me o espírito, dias a fio. Mas não se desenvolve. A fonte que a deitou cá para fora, assim como surgiu por impulso, seca sem justificação. E fico à espera do que não virá. Passo com a caneta, vezes e vezes sem conta pelas letras já desenhadas, até mal se puder ler o que está escrito por detrás daquele emaranhado de linhas. Mas não sai mais nada. E acabo por deixar a coisa assim. É simples, é pouco, mas é a descrição exacta daquilo que se passa no meu coração.

Passos em areia virgem

Apetecia-me encontrar-te de novo, no caminho…

Há momentos que apesar de efémeros, são eternos.

Monday, September 04, 2006

O recomeço

Começou Setembro, e com ele, aquele friozinho na barriga do início de aulas. Apesar de haver alturas no ano em que o nego veementemente, o certo é que a escola exerce sobre mim um fascínio incontrolável. O cheiro dos livros por estrear, as canetas que ainda não foram usadas, o dossier com as suas folhas virgens… E ver como no final do ano tudo isso está tão diferente, tão “mais meu”, tão únicos… Cresce então em mim aquela ansiedade de os preencher, de os trabalhar, de os singularizar perante os outros milhares de livros e dossiers, neste momento, iguais aos meus.

E que pessoas e acontecimentos novos me reservará este 11º ano? Novos colegas, novos professores, novo horário, novos desafios estudantis, rever os amigos naquele curto intervalo de 15 minutos, correr para não chegar atrasada, empregar toda a minha energia num só dia e chegar a casa e cair na cama, exausta.

Sunday, August 20, 2006

Senhora Presidente

Tenho acompanhado com muito interesse a série Senhora Presidente (todas as 4º-feiras, na SIC, as 00h30). É sem dúvida muito agradável ver boa política na televisão, nem que seja numa série de ficção.

(O número de pessoas que dizem vir ao blog cresce e a responsabilidade aumenta. Irei certamente voltar a escrever sobre esta série, que é de momento, a minha favorita. Aceitam-se sugestões para temas de discussão).

Marcelo Caetano (o homem ou o político?)

Faria agora, por estes dias, cem anos. E vimos as televisões e todos os outros meios de comunicação social relembrá-lo apenas enquanto homem. Depois da entrevista à filha, na estação pública de televisão, fiquei a pensar na coisa. Falamos sobre isso, cá em casa. E ontem tive oportunidade de ouvir grandes homens falar também sobre isso. E pude concordar com eles.

Obviamente que por detrás de cada político, professor, operário, manequim, ou qualquer outra profissão, existe sempre um Homem que não pode ser esquecido enquanto ser humano que é. No entanto, se hoje estudamos e relembramos os tempos de Marcelo Caetano não é por ele ter sido o homem que foi mas sim, pelo cargo que exerceu. Homens há milhões e não os estudamos a todos. Este de que estamos a falar foi um ditador, um criminoso. Esta é a verdade nua e crua. Foi isto que marcou o povo português e a sua história.

Não gostei da maneira como a entrevista foi conduzida.

Fragmentos de Poesia (histórias que eu gostaria de ter vivido...ou de vir a viver)

(Escrito após a leitura de três ou quatro bons romances. É do que tenho lido mais, exceptuando as segundas leituras do Daniel Sampaio e um ou outro romance político e/ou histórico)

Quando a sociedade dita as regras, quem sou eu, um mero peão num enorme jogo de xadrez, para me opor?
Estás longe mas sinto-te perto. Outras vezes há, porém, e bem mais dolorosas, em que estás perto mas te sinto longe. E é destas vezes em queria tocar-te mas não posso, nem em pensamento. Porque as regras não deixam. Sobe então em mim um desejo incontrolável de gritar, como se o meu grito (o mais potente do Mundo), conseguisse abafar todas as outras vozes que falam baixinho e que magoam, magoam, magoam. No entanto, não consigo fazer com que o grito chegue ao coração e portanto, falho.
Olho para ti, nem que seja em pensamento, e sonho em tocar-te. Em possuir-te, nem que seja apenas por um instante. Apenas para ter o que recordar.
Não posso e sei que não posso. O teu olhar relembra-mo. Como poderia ter-te apenas por um momento se te quero para toda a vida?
E eis que tudo se torna claro! Se fosses meu, não havia esta magia construída apenas na base de sonhos. Vou parar de sofrer.
Vou aproveitar todas as regras contra, todas as distâncias, todos os “não”, todas as dores, todas as alegrias, todas as lágrimas, todos os sorrisos para criar mais e mais magia.

Thursday, August 17, 2006

Motivos de Ausência

Não tenho escrito por motivos de força maior: férias. Estive na Vieira em casa da Pipa (a minha companheira das viagens). Ontem escrevi um texto mas ainda estou a decidir se o posto ou não. Depois de vê.

Fui à estreia da peça “As pegadas dos Dragões”. À parte de alguns pormenores técnicos que não me cabe a mim comentar, gostei muito. Bonita história, bonita sequência, bonita paisagem. Muito bem imaginado. Claro que a Andreia Magalhães se destacou no elenco!

(A quem for, aconselho muitos, muitos casacos. É melhor deixarem a roupa das festas para outra ocasião! (Private joke))

Monday, August 07, 2006

Pormenores

Nem tudo o que é belo ostenta. A visão é um sentido extraordinário mas demasiado imediato e com algumas dificuldades de concentração. O verdadeiro sentido da vida está em encontrar a beleza que se esconde no rebentar das ondas, na brisa marinha, no calor das luzes das estrelas, no som de um sorriso, no sabor do vento, nos pormenores…

Quero voltar...

Há coisas que não se escrevem num diário. São demasiado preciosas e ao serem descritas perdem encanto. Porque são para serem vividas, não contadas. Além do mais, o egoísmo impede-nos. Há coisas que são “demasiado nossas”. Quem não esteve connosco no momento, não as percebe. Pode até acenar com a cabeça e dizer “que giro” mas não viu o ambiente, não conhece as pessoas e os seus jeitos e maneirismos, não sentiu o odor nem viu as cores de tudo aquilo em que tocámos, de tudo o que vimos, de tudo o que sentimos.

Não vou descrever a minha estadia na Galé. Não tenho capacidade para tal e o que se vive num mundo à parte deve permanecer à parte. Mas posso tentar descrever o que senti. Há uns tempos achava o Alentejo uma das zonas menos desenvolvidas de Portugal. Agora, acho o desenvolvimento relativo. As pessoas são amáveis e lindas em todos os sentidos, abertas e com “qualquer coisa especial” que as torna atraentes enquanto seres humanos.

O céu, o mar, as árvores, as estrelas cadentes naturais e com espelhos (como tu Di, a quem basta correr =), o miradouro, as tendas, a esplanada, o self-service,as latas, os donuts de chocolate, os copos de coca-cola com números de telemóvel, o guardapo do email do grilo e o "muito agradecidas", a encosta, o atalho, o acolhimento das meninas do ballet e da Rita… Fora o resto

Sunday, August 06, 2006

O regresso

Voltar de férias é do pior. Uma pessoa vem terrivelmente mal habituada e como um humor que ultrapassa o péssimo. Depois de quase 15 dias maravilhosos querem que enfrente Ourém com que cara? Fechei os olhos quando o carro arrancou e deixei de ver o parque de campismo. Voltei a fecha-los quando o avião ganhou asas. E só não entrei em casa ás apalpadelas porque corria o risco de bater com a cabeça nalguma parede. Sim, porque não tenho a certeza de ainda me lembrar dos cantos todos da casa. Esforcei-me imenso para os esquecer, verdade seja dita.

Qual é que era a solução Diana? Uma semana trancadas no quarto, a olhar para as recordações e a chorar desalmadamente, em depressão profunda. Entreabrir depois a porta e passar mais uma semana a chatear toda a gente no MSN, deixar comentários e posts a falar sempre do mesmo e não mudar o nik durante um mês. E depois a vida há-de tomar o seu rumo…

Vou agora postando umas coisas que escrevi enquanto estive fora. E vocês? Que novidades têm para partilhar? Se por acaso isto (Ourém, Portugal, o Mundo…) não tiver mudado nada enquanto estive fora, façam o obséquio de não comentar a dizer isso

Saturday, July 22, 2006

Já posso ir presa!

Fiz hoje 16 anos. E constatei que quando começo a ter idade para fazer asneiras legalmente, começo também a ser legalmente responsável pelo que faço e a responder por mim e pelos meus actos. Ou seja, tenho idade para beber álcool e entrar em discotecas e bares… mas tenho também idade para ser presa! Resumindo, se não me portei mal até aqui, é melhor que continue assim.

Adorei a festa surpresa. Foi tão bom! E acho que todos nos divertimos imenso. Agradeço em primeiro lugar aos meus pais e à minha mana e depois à Carolina, ao Nuno, ao Hugo, à Pipa, à Leonor, à Di, à Catarina… e a todas as pessoas que estiveram por detrás disto. É claro que a minha inocência não me permitiu desconfiar de nada…

Vou de férias. Parto 2º (dia 24) para a costa alentejana, com um grupo de amigas e dia 26 embarco noutra… aventura, se é que assim se pode chamar. Depois conto tudo, com detalhes. Até lá, o blog vai estar parado. Espero imensos comentários quando chegar! Boas férias a todos! (Sorriam, riam, divirtam-se… e depois venham aqui contar como foi. Certo?)

PS - A propósito, o telemóvel vai estar desligado até dia 6 de Agosto. Vou aproveitar para travar batalhas longe de multidões e analisar as já travadas. Para além de descansar e reunir forças para mais umas quantas.

E vergonha na cara, não?

Vejam só esta: “(…) prova de exame inédita e desconhecida, logo, o mínimo que podíamos fazer era dar-lhes uma segunda oportunidade”. Adivinham o autor da frase?

Monday, July 17, 2006

Sistema de ensino _ Exames Nacionais

Hoje dei por mim a pensar no sistema de ensino português e em tudo o que ele implica. Como aluna parece inadmissível ser a favor dos exames nacionais, no entanto, num sistema como o nosso, não me parece que outra coisa fosse praticável. Como é que se seleccionariam os alunos na entrada ao ensino superior? Apenas com as notas de frequência? Parece-me pouco. Confio nos nossos professores (ao contrário do próprio Governo que bem se tem esforçado por mostrar o contrário) mas até pela questão das escolas privadas e semi-privadas, a nota de disciplina não seria decerto suficiente. Os exames são uma solução rude: alunos a serem avaliados por professores que não conhecem a pessoa que estão a avaliar é reduzir completamente os alunos a números que muitas vezes nem correspondem à verdade. No entanto, há alguma solução viável para acabar com os exames ou lhes atribuir menos peso?

Claro que há! Simplesmente o problema não está nos exames. Está no sistema! Em Inglaterra os alunos têm desde o primeiro dia de aulas um processo no qual constam todas as suas avaliações, todos os registos das actividades em que participaram, descrições das suas capacidades e características feitas pelos professores, etc. Lá, os alunos não chumbam. Têm más notas, isso fica registado e a vida continua a correr. É com esse dossier que os alunos concorrem à Universidade. Enviam cópias para as Faculdades a que gostariam de pertencer e são seleccionados não só pelas suas notas, como também pelo conjunto das suas capacidades gerais. Ou seja, as Universidades não seleccionam apenas números mas também pessoas! Em França os alunos podem escolher a sua área de estudo apenas dentro das suas capacidades. Afinal, o que é que um aluno de nível dois a matemática no ensino básico vai fazer para a área de Ciências e Tecnologias? Deveria ser encaminhado ou para outro curso científico ou para um curso tecnológico. Assim, chegada a altura da ingressão ao ensino superior a selecção é mais fácil, uma vez que os alunos já foram previamente colocados na sua área de capacidades. Na Suécia, todos os testes são globais.

Assustei-me com os resultados dos exames de 9º ano. Aliás, acho que as notas não foram boas em nenhum ano (9º, 11º ou 12º), no geral. Programas novos a serem testados sem que os alunos tivessem previamente acesso a uma prova modelo, critérios de correcção sem nexo absolutamente nenhum, …este ano os exames foram uma vergonha! E depois queixam-se que o país não avança! Será que ninguém percebe que a base de tudo é a educação? Acho gravíssimo terem sido encontrados erros em exames. O futuro de milhares de jovens depende deles. E a nossa arrogante Ministra da Educação não foi sequer capaz de se dirigir ao país, pedir desculpas, prometer que os responsáveis iam ser encontrados e punidos e que estes resultados iam ser analisados. Oh, mas isso era pedir de mais! Ela não foi sequer capaz de assumir os erros! Está certo que não foi ela a fazer os exames. No entanto, ela é a responsável máxima pela educação em Portugal e tinha que ter assegurado que os exames iam ser revistos o número de vezes necessárias. E porque é que agora apenas deixam repetir dois exames, podendo os alunos concorrer com as notas da 2º fase à 1º das Universidades? Houve maus resultados em todos os exames! Que dêem ao menos uma razão válida… (Já estou a imaginar a confusão que vai ser este ano a entrada no ensino superior!). Já agora, outro pormenor: os exames da 2º fase já estão prontos. Aliás, os exames da 1º e 2º fases são feitos ao mesmo tempo. Quem garante que não têm também erros?

Sinceramente, acho que tudo isto demonstra uma falta de respeito enorme para com os alunos.

Friday, July 14, 2006

Analogia á existência

Estou exausta. Tenho travado muitas batalhas cá dentro.

(Analogia como relação de dependência mais do que de semelhança).

Monday, July 03, 2006

Um bocadinho de oportunismo...

Vamos Sócrates, aproveita até quarta-feira para tomar as medidas polémicas. Vá lá, aproveita agora que ninguém te liga, o povo português tem mais que fazer do que se revoltar contra o teu governo…

Saturday, July 01, 2006

Meias-Finais

Grande jogo! Incrível, até eu vi e sofri da segunda parte para a frente! O Ricardo portou-se bem, não há dúvida. O mérito é dele. O próximo é contra a França? Ui, até já me está a doer…

Mutilação Genital Feminina _ Waris Dirie, uma flor em pleno deserto


Acabei agora o livro “Aurora no Deserto”, de Waris Dirie, continuação de “Flor do Deserto”, da mesma escritora. Os livros são basicamente um relato vivo e bem escrito da vida de uma menina nómada, que nasceu e viveu no deserto africano, mais propriamente somali, e que fugiu a um casamento com um homem que tinha idade para ser seu avô. Passou por provações desumanas até que se encontrou sozinha em Londres, sem falar inglês, sem dinheiro, parentes, amigos, comida… Parece, no entanto, que o destino lhe reservou uma missão maior que si mesma. Tornou-se uma modelo famosa e uma porta-voz dos horrores por que passam as mulheres do seu país. Descreve na primeira pessoa a pior das mutilações genitais femininas, a circuncisão faraónica ou infibulação, que consiste na extirpação do clítoris e dos lábios internos da vagina, sendo a ferida cosida, deixando apenas uma abertura do tamanho da cabeça de um fósforo para a menstruação e urina. As condições em que esta “cirurgia” é feita são absolutamente monstruosas. No caso de Waris, em pleno deserto, sem anestesia, com objectos cortantes que não foram esterilizados, feito por uma mulher sem formação, enfim, com todas as condições propícias aos vírus, infecções, doenças mortais. E o facto é que o número de vítimas desta prática é assustador.
No entanto, estes dois livros são maravilhosos de ler, na medida em provam que é possível amar um país sem, porém, concordar com as suas tradições. Waris pertence a África, à Somália, ao deserto. Ama aquele modo de vida nos mais ínfimos pormenores, ama aquelas pessoas e transmite-nos todo esse amor. Mas sabe que a evolução do seu país passa antes de tudo mais pela mudança de mentalidades. Enquanto os homens não aprenderem a olhar as mulheres como semelhantes, enquanto não perceberem que elas nascem assim por alguma razão e que mutilar não é purificar, enquanto todos os somalis não se unirem esquecendo clãs, a Somália continuará miseravelmente pobre e as condições de vida das populações continuarão tristemente más.

No Mundo as coisas também são um bocadinho assim. Enquanto os Homens não começarem a olhar as coisas como um todo, alargando o horizonte para além de países e nações, enquanto que não percebermos que somos todos Seres Humanos e lutarmos todos para o bem comum, o Mundo não avança. Se fomos capazes de pôr um homem na Lua, então também somos com certeza capazes de acabar com a guerra, com a fome, com a pobreza mundial.

Waris foi nomeada, 1997, embaixadora da ONU para os direitos das mulheres, na luta pela eliminação da prática da MGF.